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  Título
A crítica enquanto vestígio receptivo de produtos audiovisuais
Autor
Regina Lucia Gomes Souza e Silva
Resumo Expandido
A proposta da comunicação será a de refletir sobre a crítica como objeto histórico que opera como um rico registro das modalidades de recepção das obras audiovisuais. Defendemos que estes textos avaliativos publicados em jornais e revistas, impressos ou eletrônicos, constituem-se como vestígios de uma experiência receptiva que deixa uma marca inscrita na história das obras audiovisuais.

O crítico, ele próprio um espectador, é testemunho de uma época. Não um mero leitor de seu tempo, diga-se, mas produtor de uma leitura mais acurada, atenciosa de uma obra desde já tida como objeto de análise seu. Desse modo, a crítica pode ser investigada como um elemento do alcance histórico de obras audiovisuais e por meio dela [da crítica] poderemos refletir sobre como essas narrativas foram lidas e recebidas em determinados períodos.

Consideraremos alguns dos pressupostos teórico-metodológicos da Estética da Recepção, corrente protagonizada por Hans Robert Jauss (1994; 2002) que já na década de 70 compreendia os textos de crítica literária como integrantes da recepção das obras e como testemunhos dos sentidos conferidos à essas mesmas obras ao longo do tempo.

Tal como acentuou a estética da recepção, acreditamos ser importante o exame de condicionantes históricos e estéticos que levaram a uma boa ou má acolhida de certos produtos audiovisuais, inseridos em seu horizonte de expectativas.

Além de Jauss, as investigações de Janet Staiger (1992; 2000; 2005) e seus “estudos históricos de recepção nos media” têm contribuído para avigorar a ideia da crítica como marca de recepção. Staiger devota significativa atenção aos textos críticos reconhecidos como provas históricas de atividades interpretativas e receptivas.

Como estudo de caso, analisaremos algumas críticas destinadas à série televisiva The West Wing (1999-2006) produzida pela emissora NBC e escrita pelo consagrado roteirista Aaron Sorkin. Ao longo de suas sete temporadas a ficção teve uma repercussão considerável nos meios jornalísticos e acadêmicos suscitando críticas, artigos e muita polêmica não somente nos EUA como em outros países. No Brasil, a ficção foi exibida pelo Warner Channel motivando críticas na Folha de São Paulo e até na revista de cinema Contracampo. Boa parte da polêmica engendrada por The West Wing associa-se ao seu caráter político-ideológico e à capacidade do roteirista em levantar discussões sobre temas atuais.

Enfim, nossa proposta será a de fundamentar o debate sobre o papel da crítica como uma prática discursiva que carrega marcas de recepção e apresentar resultados, ainda que preliminares, da análise das críticas à The West Wing.
Bibliografia

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CARTER, Bill. The West Wing' Comes to Terms With the G.O.P. New York Times, September 23, 2003.

JAUSS, H. R. A história da literatura como provocação à teoria literária. São Paulo:Ática, 1994.

JAUSS, H. R. Pequena apologia de la experiência estética. Barcelona:Paidós,2002.

ROLLINS, Peter C.; O’CONNOR, J. E. (eds.). The West Wing: the American presidency as television drama. New York: Syracuse University Press,2003.

SILVA JR, G. The West Wing - nos bastidores do poder. Disponível em: http://www.contracampo.com.br/69/thewestwing.htm. Acesso:julho de 2011.

STAIGER, J. Interpreting films: studies in the historical reception of american cinema. Princeton:Princeton University Press, 1992.

STAIGER,J. Perverse spectators: the practices of film reception.N.Y:New York University Press, 2000.