/ / / / / / / / / / / / / /      Anais Digitais      / / / / / / / / / / / / / /

  Voltar para a lista
 
  Título
Angelopoulos: afetos que se encerram em Três minutos e Céu inferior
Autor
Maria Cecília de Miranda Nogueira Coelho
Resumo Expandido
Pretendo analisar dois curtas de Angelopoulos: Trois Minutes e Céu inferior, ambos episódios de filmes coletivos Chacun son cinema (or Ce petit coup au coeur quand la lumière s'éteint et que le film commence)” (2007) e Mundo invisível (2009).

No primeiro discuto a narrativa curta, mas complexa, a respeito de um dos temas centrais do diretor: a incomunicabilidade, remetendo aos filmes mais antigos seus, O passo suspenso da cegonha e O apicultor, e ao filme de Antonioni, i>A noite, dos quais são feitas citações no curta.

No segundo, seu último filme, parte de um projeto de Leon Cakoff, sobre o tema da invisibilidade do mundo moderno, a ser lançado em 2012, quero mostrar como em uma breve catabasis e anabasis Angelopoulos transforma um pregador na voz da consciência divina, em um mundo trágico, sem redenção, explorando a vulnerabilidade humana nos subterrâneos da cidade, com seus habitantes imperceptíveis nos viadutos e estações de metrô. Como em A poeira do tempo, a mise en scène nos subterrâneos e entre as paredes com graffiti tem um sentido importante.

Contra Bordwell, que assimila Angelopoulos à estética modernista, e associa sua mise en scène à habilidades com uma retórica visual, argumento que os ‘afetos’ produzido não são ‘efeitos’, e que seu estilo é consequência de suas convicções políticas e filosóficas.

Chamo também a atenção para uma mudança de perspectiva destacada pelo próprio diretor, ao dar uma entrevista sobre seu primeiro filme do século XXI, O vale dos Lamentos. Angelopoulos explica que quando fez A viagem dos comediantes, filme que o lançou no cenário mundial, era o tempo de Brecht e do distanciamento e que Godard (sua maior influencia) dizia que o diretor não deveria fazer filmes políticos, mas fazer política, e que depois de alguns anos ele retornou para a definição aristotélica de tragédia, onde a força da tragédia é falar sobre a condição humana (Jimeno 2005).

Nesse contexto, pretendo comparar esses dois curtas aos dois longas feitos no século XX, Vale dos lamentos e Poeira do tempo, mostrando suas semelhanças. Por fim, seguindo meu interesse nas trilogias de Angelopoulos (veja Coelho 2009 sobre os filmes dos anos 90), quero investigar o modo como mito, ficção e história são reunidos e articulados, e como o diretor grego entendia o uso de categorias universais como “condição humana”, “cultura grega” e “tradição clássica”.

A partir de discussões recentes sobre o uso e construções da antiguidade grega e apropriações do passado clássico (Settis e Zacharias, principalmente) quero explorar o modo como Angelopoulos reimagina a histórias gregas antigas – que ele diz serem as mesmas em todos os lugares e tempos (Jimeno 2005) e o modo como ele utiliza filmes para aproximar diferentes culturas para produzir empatia e afetar os espectadores.

Bibliografia

Bordwell, D. Figuras traçadas na luz (Campinas 2008), Coelho, M.CM.N. A odisseia do olhar de Angelopoulos. In: CORSEUIL, A. alii (ed.) Cinema - lanterna mágica da história e da mitologia (Florianópolis 2009)141-172, Coelho, M.CM.N. Passionate Views: Film, Cognition and Emotion. Review Ilha do Desterro, 2006. Fainaru, D.(ed.), Theo Angelopoulos: Interviews (Jackson, MS 2001) 117-122, Horton, A. (ed.) Horton, A. The Films of Theo Angelopoulos: A Cinema of Contemplation (Princeton 1997), Jimeno, A. Vale dos lamentos: La ultima pelicula de Anguelopulos. Estudios Neogriegos 7 (2005) 139-147, Paul, J. Working with Film: Theories and Methodologies Hardwick, Lorna, Stray, Christopher, A Companion to Classical Receptions (Blackwell 2008) 303-314, Settis, S. The Future of the ‘Classical’ (Cambridge, MA 2006), Zacharia, K. Reel Hellenisms: perceptions of Greece in Greek cinema, __ (ed.) Hellenisms. Culture, identity, and ethnicity from antiquity to modernity (Hampshire 2008) 321-53