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  Título
O gênero épico na TV: um estudo sobre a minissérie A Muralha
Autor
Cid José Machado dos Santos Junior
Resumo Expandido
Apesar de a telenovela ser um dos formatos audiovisuais mais consolidados de narrativa televisiva no Brasil, podemos perceber um crescente interesse do público por narrativas seriadas de curta duração e maior aporte de capital por parte das emissoras no desenvolvimento deste tipo de produto.

As minisséries brasileiras têm se tornado um espaço privilegiado para a experimentação em termos narrativos, de produção e de linguagem. Uma das vertentes mais recorrentes neste tipo de produção diz respeito à narrativa histórica, com ênfase na adaptação de obras da literatura nacional, que se passa com frequência no final do século 19 e na década de 50 do século 20, segundo Daniel Filho, diretor da então Central Globo de Criação, da TV Globo, emissora que se estruturou de um modo que nos remete ao sistema de estúdios de Hollywood.

Neste contexto, discutiremos as práticas produtivas da TV Globo em relação ao gênero épico a partir da minissérie A Muralha (TV Globo, 2000) no âmbito das comemorações dos 500 anos do descobrimento do Brasil, período marcado por um boom de produções históricas entre seus diversos produtos narrativos. Escrita por Maria Adelaide do Amaral a partir da obra homônima de Dinah Silveira de Queiroz, dirigida por Denise Saraceni e produzida por Daniel Filho, a minissérie marcou uma incursão da emissora na representação do conturbado século 17.

A obra está inserida em um momento preocupado com a estratégia de mercado globalizado, no qual a qualidade de produção se torna fundamental. A TV Globo estava implantando novas práticas de pesquisa histórica e a realização de workshops com professores universitários na preparação dos novos projetos, bem como dando os primeiros passos em uma nova relação entre televisão e cinema com a Globo Filmes. A Muralha foi também uma das primeiras obras a serem comercializadas em DVD pela Globo Marcas.

Trabalharemos as considerações a respeito das definições genéricas fundamentalmente a partir da abordagem de Jason Mittell, que ressalta aspectos da interculturalidade. No caso, partiremos da hipótese de que a cultura televisiva e a cultura cinematográfica têm especificidades (perceptíveis nos seus modos de produção, criação do texto e recepção), Na TV, por exemplo, destaca-se a serialidade e a inserção dos intervalos comerciais. Entretanto, também existe uma cultura de interseção entre os dois meios, uma cultura cinetelevisiva, que emerge em produtos elaborados em ocasiões especiais (a comemoração dos 500 anos do descobrimento do Brasil), inclusive, na escolha de gêneros (o épico, em questão) que pressupõe uma pesquisa mais elaborada em termos de concepção da obra.

Assim, abordaremos as possíveis interseções entre a cultura televisiva da TV Globo em relação a possíveis parâmetros de culturas cinematográficas (hegemônicas ou não, nacionais ou estrangeiras) implicados na criação da minissérie A Muralha, com especial atenção à figura do produtor Daniel Filho, como um profissional formado no âmbito das duas culturas, cinematográfica e televisiva.
Bibliografia

ALTMAN, Rick. "Una aproximación semântico-sintáctica al género cinematográfico”. In: _______. Los géneros cinematográficos. Trad. Carlos Roche Soárez Barcelona, Buenos Aires, México: Paidós, 2000, p. 291-304.



BORDWELL, David. O cinema clássico hollywoodiano: normas e princípios narrativos. In: RAMOS, Fernão (Org.). Teoria contemporânea do cinema. São Paulo: Senac, 2005, 2 v, p. 277-302.



LOPES, M. I. V. (org.). Telenovela: internacionalização e interculturalidade. São Paulo, Loyola, 2004.



MACHADO, Arlindo. Televisão levada a sério. S. Paulo: SENAC, 2002.



MITTELL, Jason. A cultural approach to television genre in Cinema journal, 40, nº3, Spring 2001, p. 01 - 24;





PUC-RIO. TV-pesquisa. Banco de dados. Disponível em: http://www.tv-pesquisa.com.puc-rio.br.



REVISTA QUEM ACONTECE. Raízes do Brasil. Disponível em: http://revistaquem.globo.com/Quem/0,6993,EQG1451870-2456,00.html.