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  Título
Revelando os Brasis e o processo de recepção de exibições itinerantes
Autor
Dafne Reis Pedroso da Silva
Resumo Expandido
O propósito deste trabalho é elaborar uma problematização sobre o processo de recepção de quatro exibições itinerantes do Revelando os Brasis ano IV, as quais foram realizadas nas cidades de Cidreira, Gaurama, São Miguel das Missões e São Pedro do Sul, no Rio Grande do Sul, em julho e agosto de 2011.

O Revelando os Brasis surgiu em 2004, na Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura. É realizado pelo Instituto Marlin Azul, com patrocínio da Petrobras. A cada edição é lançado um concurso nacional de histórias destinado a moradores de cidades com menos de vinte mil habitantes. Quarenta histórias são selecionadas e os autores participam de oficinas sobre a produção de curtas-metragens, no Rio de Janeiro. Os selecionados retornam às suas cidades e, com o apoio de uma produtora da região e com a mobilização dos demais moradores, realizam os filmes, que têm quinze minutos de duração. Posteriormente, os curtas-metragens são exibidos em várias cidades durante sessões itinerantes de cinema.

A ideia que permeia projetos de inclusão audiovisual, como o Revelando os Brasis, é a de que sujeitos que estejam longe dos grandes centros possam fazer parte do cenário audiovisual registrando suas histórias, seus cotidianos. O Revelando os Brasis nos serve como uma possibilidade de reflexão acerca dos diferentes usos da mídia e dos elementos culturais daquelas localidades que passam a tematizar as produções.

Após a finalização dos curtas-metragens, são realizadas exibições itinerantes em que são projetados os filmes produzidos pelos alunos. Se no início do século passado, as itinerâncias eram feitas por conta de um mercado cinematográfico incipiente, que ainda não tinha destinado às projeções de filmes locais específicos, as atuais acontecem justamente como consequência do mercado que se instituiu (BARONE, 2009; GATTI, 2000). Elas passam a ter o objetivo de promover o consumo de cinema nacional e a experiência da recepção coletiva.

A perspectiva de recepção que norteia e sustenta os meus questionamentos compreende a comunicação enquanto um processo interacional complexo, situado na cultura e mediado por uma série de instâncias, denominadas mediações (MARTÍN-BARBERO, 2003). Ao pensar a recepção de cinema, entendo que a espectatorialidade é resultado de diferentes elementos, como locais de consumo de filmes, lacunas temporais em relação à produção e à exibição, contextos históricos, posicionamentos e uma série de outros elementos que configuram os processos comunicacionais (STAM, 2003).

Penso que a abordagem deste trabalho poderá problematizar a divisão “produtor” x “receptor”. Os espectadores das sessões itinerantes do Revelando os Brasis não estão apenas produzindo sentidos e apropriações sobre os curtas-metragens, mas são também realizadores, pois muitos estiveram envolvidos com a produção dos filmes. São receptores-produtores que também atuam como exibidores em seus municípios: colaboram com a organização da sessão do Revelando os Brasis e com outras propostas de exibição de cinema e de formação de plateias para o cinema nacional. O Revelando os Brasis é um exemplo da tensionamento desse processo e de quanto as posições ocupadas não são fixas, mas múltiplas, e se relacionam, se interpõem.

Finalmente, serão apresentados os resultados sobre o envolvimento dos moradores na produção dos curtas-metragens, as pistas sobre as apropriações e os usos dos espaços de recepção, além de sentidos produzidos no contexto imediato de exibição dos filmes.
Bibliografia

BARONE, João Guilherme B. Reis e Silva. Comunicação e Indústria Audiovisual: cenários tecnológicos e institucionais do cinema brasileiro na década de 90. Porto Alegre: Sulina, 2009.

GATTI, André. Exibição. In: RAMOS, Fernão e MIRANDA, Felipe (Orgs.). Enciclopédia do cinema brasileiro. São Paulo: Editora SENAC São Paulo, 2000.

MARTÍN-BARBERO, Jesús. Dos meios às mediações: comunicação, cultura e hegemonia. Rio de Janeiro: UFRJ, 2003.

STAM, Robert. O nascimento do espectador. In: ______. Introdução à teoria do cinema. Campinas, SP: Papirus, 2003.