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  Título
Som e a ressignificação de imagens de São Paulo, sinfonia e cacofonia
Autor
Marco Aurélio Teles Freitas
Resumo Expandido
De acordo com o músico e diretor de cinema francês Michel Chion, em seu livro A audiovisão: som e imagem no cinema (2011), não existe necessariamente preponderância da imagem sobre o som em uma produção cinematográfica. Esse entendimento de uma relação não hierárquica som-imagem de Chion pode ser um caminho para entender a proposta do documentário São Paulo, sinfonia e cacofonia (1995) de Jean-Claude Bernardet. O próprio Bernardet (2000, p.27) ressalta o lugar de destaque do som na sua produção (evidente desde o título da produção) quando diz que para que o filme, feito com trechos de diversos outros filmes de diferentes estéticas, não se tornasse uma concha de retalhos “era necessário mobilizar diversos mecanismos que assegurassem a unidade. Um deles era a trilha sonora.”

Não menos importante do que o som é a imagem para este filme. Bernardet destaca que o processo fundamental da produção é um que está relacionado com as imagens, o de ressignificação destas, as quais ele chama de alheias, quer dizer, provenientes de obras cinematográficas que não foram realizados por ele mesmo. Assim, a pergunta a que pretendemos responder neste artigo é: qual a contribuição do som (falas, ruídos e música) para a ressignificação das imagens alheias em São Paulo, sinfonia e cacofonia?

Nesta investigação, seguiremos as propostas de Michel Chion a respeito das funcionalidades e aplicações dos três planos sonoros (fala, ruídos e música) tradicionais do cinema narrativo. Algumas dessas funcionalidades são: a síncrese, o valor agregado, os efeitos empáticos e anempáticos da música, a linearização do tempo, a subversão do espaço e do tempo pela música.

Ainda seguindo a proposta de Chion, também buscaremos observar a estrutura som-imagem do filme a partir do método das máscaras, que, segundo Chion (2011, p.146), “consiste em visionar várias vezes uma dada sequência, observando-a ora com som e imagem juntos, ora mascarando a imagem ora cortando o som”. Dessa forma, poderemos ouvir o som tal como é, e não como é transformado e “mascarado” pela imagem; e de ver a imagem tal como é, e não como é recriada pelo som.

São Paulo, sinfonia e cacofonia é uma mistura de elementos sonoros de tal maneira combinados e harmônicos, como instrumentos musicais garbosamente executados em uma sinfonia, com sons que se chocam desagradavelmente tal como em um cacófato. Observando as várias interações do som com imagem, imagens com silêncio, imagens com ruídos e falas em primeiro plano etc., tentaremos entender como estas podem através das funcionalidades e aplicações dos sons (aquelas que citamos) proporcionarem resultados os mais diversos conferindo unidade à narrativa.

Bibliografia

BERNARDET, J.C. A subjetividade e as imagens alheias: ressignificação. In: BARTUCCI, G. (org.) Psicanálise, cinema e estéticas de subjetivação. Rio de Janeiro: Imago Ed., 2000.



CHION, M. A audiovisão: som e imagem no cinema. Tradução de Pedro Elói Duarte. Lisboa: Texto & Grafia, 2011.



____________. La musique au cinéma. Paris : Édition Fayard, 1998.



MACHADO, A. O filme-ensaio. Concinnitas (UERJ), Rio de Janeiro, v. 4, n. 5, p. 63-75, 2003. 2000.