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  Título
Geração Cabo: um novo público brasileiro de televisão
Autor
Pedro Peixoto Curi
Resumo Expandido
Todos os dias, jovens brasileiros – e de outras parte do mundo - consomem produtos audiovisuais norte-americanos pela televisão, nas salas de cinema ou através da internet. Conectados, discutem esses programas com outros jovens de diferentes nacionalidades, formando comunidades globais de espectadores.

Os jovens estão no centro da globalização e são o principal alvo da indústria do entretenimento. Um grupo com poder de consumo, criatividade e cidadania que ocupa um lugar de conflito ideológico inserido em um espaço ambíguo entre mercados globais e práticas locais.

A televisão norte-americana – principalmente séries de TV e desenhos animados – faz parte da programação brasileira há décadas.

No início da década de 60, canais de TV brasileiros revolucionaram a programação televisiva ao introduzir os princípios de horizontalidade e de verticalidade, exibindo os programas de segunda a sexta-feira e em horários fixos, identificando seu público e adaptando a programação à rotina da família brasileira, adequando-se aos horários de cada um deles.

De manhã, a programação era voltada para as crianças, com desenhos animados e programas licenciados, à tarde para as mulheres e, à noite, para toda a família. Essa organização não apenas reforçava a ideia de público e promovia sua fidelização, como permitiu a sistematização e o aumento da venda de espaço publicitário.

No entanto, muita coisa mudou desde que a TV por assinatura chegou ao país no inicio da década de 90. Com canais mais segmentados, jovens podiam assistir a séries norte-americanas durante todo o dia e crianças cresciam com canais dedicados somente a desenhos animados vindos dos Estados Unidos. Com menos comerciais e chamadas de programação voltadas apenas para aquele segmento de público, também perderam contato com a programação nacional.

A partir daí, a lacuna entre a exibição nos Estados Unidos e no Brasil também foi diminuindo, ainda que a negociação entre os canais brasileiros e os distribuidores norte-americanos ainda estivessem levando muito tempo.

Aos poucos, os espectadores começaram, anos mais tarde, a usar a internet para procurar informações sobre os programas a que assistiam e falar com espectadores norte-americanos e de outras partes do mundo.

Com o rápido desenvolvimento da internet, as coisas mudaram muito rápido. Um dia você consegue descobrir o que aconteceu no fim de um episódio do seu programa favorito enquanto ele está sendo licenciado e legendado pelos canais de televisão e no dia seguinte pode fazer o download e ver você mesmo.

Desta forma, fãs puderam começar a baixar seus programas favoritos, assistir a eles com legendas – feitas por outros fãs – e discutir o que aconteceu com qualquer um, quando quisessem. Do FTP ao torrent, a prática do download se transformou em algo bastante organizado e a programação televisiva deixou o aparelho de televisão de lado.

Para investigar os hábitos de consumo dos espectadores brasileiros de programas de televisão norte-americanos, realizei entre 07 de outubro de 2011 a 07 de abril de 2012 uma pesquisa por meio de questionário online. As mais de mil respostas obtidas apontam para uma mudança da forma de assistir a programação vinda dos Estados Unidos e também na relação com a produção nacional.

Ainda que o Brasil possua uma sólida produção audiovisual, composta principalmente por telenovelas, essa programação não atinge o público jovem, que busca nos produtos estrangeiros narrativas que lhes agradam mais.

Qual o impacto da TV a cabo nessa geração que se distancia da produção nacional? De que forma a segmentação da programação atua na formação de público e na aletração do consumo televisivo? Esse trabalho tem como objetivo lançar um olhar sobre jovens que foram acostumados a escolher o que gostariam de assistir e que aos poucos abandonaram o aparelho de TV e passaram a fazer sua própria programação no computador.
Bibliografia

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MAIRA, Sunaina e SOEP, Elisabeth (orgs.). Youthscapes: the popular, the national, the global. Philadelphia: University of Pennsylvania Press, 2005.

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