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  Título
Geografia do filme - A viagem de Rossellini
Autor
José Umbelino de Sousa Pinheiro Brasil
Resumo Expandido


Geografia do filme aponta para um projeto utópico, muito adiantado para seu tempo, e para os interesses que nele vigiam. Não havia produtores dispostos a bancá-lo. Foi algo que não foi feito e que ficou como um convite às discussões sobre o futuro das ideias que alimentam o imaginário dos que pensam em realizar cinema.

Imaginado por Roberto Rossellini após a sua dedicação à direção de um extenso e complexo documentário com forte comprometimento social, rodado na Índia, que se constituiu, na opinião de um dos teóricos da sua obra Adriano Aprà, no primeiro ensaio cinematográfico da história do cinema. Um ensaio no sentido de experimento que este termo carrega. Geografia do filme é pensada, aqui, como exame de um estudo geopolítico cinematográfico do universo rosselliniano, e da sua busca e do seu interesse pela obra do brasileiro Josué de Castro, o autor de A geografia da fome; livro que marcara demais Rossellini e rendera a Josué o convite para vê-lo transposto ao cinema pelas mãos do italiano.

A proposta Geografia do filme indica, também, para o momento de formação do cinema moderno brasileiro e italiano e consequente da bifurcação das suas proposições políticas e estéticas. Obseva atentamente para olhar do cineasta poético e político, Roberto Rossellini e do cruzamento da sua visão de mundo com o pensamento utópico e político de um cientista e pensador brasileiro, Josué de Castro. Averigua o porquê do privilegio de eleger o problema da fome como uma parábola do cinema e as suas consequências como narrativa alegórica que transmite mensagem indireta, por meio de comparação ou analogia da realidade.

Esta proposta - Geografia do filme - procura informações acerca da mobilização intelectual de Roberto Rossellini e Josué de Castro, e consequentemente das suas aproximações e dos seus distanciamentos em torno de um projeto comum: o da (não) realização e da (não) concretização de um filme. Enfim, descreve a fracassada tentativa de realizar este projeto, e da consequente desilusão de Rossellini com o cinema e da sua aposta com a televisão como o veículo revolucionário, instrumento audiovisual através do qual conseguiria dar continuidade ao que esboçara, inicialmente, a partir da sua incursão cinematográfica na Índia.

Bibliografia

APRÀ, Adriano. In viaggio con Rossellini. Roma: Edizioni Falsopiano, 2006.



BIZZO, Maria Leticia Galluzi. Ação política e pensamento social em Josué de Castro. In: Boletim museológico do Pará. Emílio Goeldi. Ciências humanas, Belém, v.4, n.3, p.201-420, set-dez, 2009.



GALLAGER, Tag. Les aventures de Roberto Rossellini. Paris: Cinéma Éditions Léo Scheer, 2006.



MELO, Marcelo Mário e NEIVA, Tereza C. W. Josué de Castro. Brasília: Editora da Câmara dos Deputados, 2007 (Perfil Parlamentares, 52).



ROCHA, Glauber. O século do cinema. São Paulo: Cosac Naify, 2006.



ROCHA, Glauber. Revolução do cinema novo. São Paulo: Cosac Naify, 2004.



SARACENI, Paulo César. Por dentro do cinema novo – minha viagem. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993.



SERCEAU, Michel. Roberto Rossellini. Paris: Les Éditions du Cerf, 1986.



Cartas trocadas entre Josué de Casto e Roberto Rossellini. Acervo da Fundação Josué de Castro.