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  Título
O cineclube Antônio das mortes e o cinema experimental em Goiás
Autor
Marina da Costa Campos
Resumo Expandido
O estudo proposto tem como tema a história do Cineclube Antônio das Mortes e a realização de filmes experimentais em Goiás produzida por seus integrantes, no período referente à década de 1980. O intuito desta discussão é levantar, questionar e compreender como se deram as atividades do cineclube e o que constituiu, de fato, esta tendência experimental dos filmes produzidos na região e a postura de confronto que o experimental assumiu dentro de um contexto recente de história audiovisual na região.

O Cineclube Antônio das Mortes foi fundado em 1977 por Lourival Belém Júnior, Herondes César e Ricardo Musse, estudantes da Universidade Federal de Goiás. Tal entidade confluía dois movimentos distintos naquela época: uma nova geração de cinéfilos, frequentadores das exibições de cinema de arte no Cine Rio da cidade de Goiânia; e integrantes do movimento estudantil.

Inebriados pelas experiências cinematográficas do cinema moderno, os membros do Cineclube, também composto por Divino José, Noemi Araújo, Eudaldo Guimarães, Luiz Cam, Pedro Augusto de Brito, Ronaldo Araújo, Márcio Belém, Lisandro Nogueira, Hélio Brito, entre outros, decidiram criar um ciclo de produção de filmes aportados por estas renovações da linguagem cinematográfica, em um ambiente no qual só se conhecia o cinema comercial e só havia produção de documentários expositivos e as ficções de João Bennio. Em forma de cooperativa, ausente de qualquer apoio financeiro, realizaram diversos curtas-metragens experimentais em Super-8 e 16 mm no período compreendido entre 1981 a 1987, e impulsionando os jornais da época a denominá-los como “a nova geração dos cineastas goianos".

Não se tem registros sobre cineclubes anteriores, entretanto isto não é suficiente para afirmar se o Cineclube Antônio das Mortes foi um dos pioneiros em Goiás. O que se tem de relatos são os grupos de cinema que ocorriam no Cine Rio, antiga sala de cinema situada em Campinas, setor tradicional de Goiânia. Após o surgimento da entidade, outros cineclubes foram criados, como o Nuestra América, ligado ao CEFET, Centro Federal de Educação Tecnológica de Goiás; e o Cineclube da Universidade Católica de Goiás. Ambos funcionando com o apoio técnico do Cineclube Antônio das Mortes.

A entidade possuía sessões abertas ao público, oferecia mostras em diversas cidades do interior, além de palestras e cursos. Seu principal objetivo era trazer as principais estéticas cinematográficas, grandes diretores e filmes para promover debates sobre seus temas, a partir da linguagem cinematográfica. A experiência cineclubista ofereceu a vontade em seus integrantes de, não só aprofundarem nas discussões e pesquisas no cinema, como também na produção de filmes intitulados experimentais pelos seus integrantes. Entende-se como experimental, neste momento, o que Jacques Aumont e Michel Marie definem como:

“[...] um tipo de filme que responde a todos os seguintes critérios ou a parte deles (Noguez,1979):

Ele não é realizado no sistema industrial;

Não é distribuído nos circuitos comerciais (mas, eventualmente, em outros circuitos);

Não visa à distração, nem necessariamente, à rentabilidade;

É majoritariamente não narrativo;

Trabalha questionando, desconstruindo ou evitando a figuração;” (AUMONT; MARIE, p. 111, 2003)

Os curtas-metragens experimentais, em um número aproximado de 23 obras, eram defendidos por seus integrantes como “projetos autônomos que refletiam o grupo” e realizados sem ajuda financeira do Estado ou empresas. As bitolas trabalhadas em Super-8 ou 16mm eram adquiridas pelos próprios ou por doações de veículos de TV, e exibidas pelos projetores do próprio Cineclube. Atualmente, os trabalhos em Super-8 se perderam, restando apenas as obras em 16 mm, que estão reservadas no Museu de Imagem e Som ou em acervos pessoais dos integrantes.

Bibliografia

AUMOUNT; JACQUES, MARIE; MICHEL. A análise do filme. Lisboa: Texto & Grafia, 2010.



___________________________. Dicionário teórico e crítico de cinema. Campinas, SP: Papirus, 2003.



LEÃO; BETO, BENFICA; EDUARDO. Goiás no século do cinema. Goiânia: Editora Kelps, 1996.



MACHADO JR; RUBENS. Marginália 70: o experimentalismo no Super-8 brasileiro. São Paulo, Itaú Cultural, s.d, 2001.



PALACIN; LUÍS, MORAES; MARIA AUGUSTA S. História de Goiás (1722-1972). Goiânia: UCG, 2001.



RIBEIRO, JOSÉ AMÉRICO. O cinema em Belo Horizonte: do cineclubismo à produção cinematográfica na década de 60. Belo Horizonte: Editora UFMG, 1997.



SONTAG; SUSAN. Contra a interpretação. Trad. Ana Maria Capovilla. Porto Alegre: L&PM, 1987.



TEIXEIRA; FRANCISCO T. Três balizas do experimental no cinema brasileiro. In: Estudos de cinema (SOCINE VII). São Paulo: Annablume, Socine, 2006, p. 273-280.



___________________. (org.). Documentário no Brasil: tradição e transformação. São Paulo: Summus, 2004.