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  Título
No deslocamento: o cinema revela a poética do imaginário
Autor
Maria Ignês carlos Magno
Resumo Expandido
O presente estudo é parte do projeto de pesquisa Deslocografia: o cinema construindo o imaginário em processo, do grupo de pesquisa: Tecnologias dos audiovisuais e sociedade e tem por objetivo investigar como o cinema representa as sociedades e os territórios construídos pelos sentidos e desejos de personagens que vivenciam deslocamentos contínuos e que são desafiados a gerar sociabilidades enquanto se movimentam.

O deslocamento é o foco central do estudo porque é nele que o imaginário, que as identidades socioculturais, que os territórios se constroem, transformam-se ou se transfiguram. A metodologia se pauta pelos estudos teóricos do deslocamento humano (em suas dimensões: histórica, antropológica, sociológica, geográfica e política) e pela abordagem a filmes brasileiros - especialmente aqueles lançados durante e após o período de Retomada-, que retratam diferentes formas de deslocamentos, seja o deslocamento de migrante do sertão ou para o sertão, seja o deslocamento de personagens nas cidades.

O conceito de Deslocografia foi pensado para identificar a narrativa cinematográfica apresentada enquanto as personagens estão em movimento. Sendo assim, uma das propostas é a de investigar as diferentes formas de representação pelo cinema da realidade social dos migrantes e seus trânsitos pelos territórios e fronteiras. A outra é a de discutir como o cinema brasileiro contemporâneo representa o imaginário de seus personagens em deslocamentos nas cidades ou em trânsito para um novo território ou o retorno ao território de origem.

Na primeira parte da pesquisa optamos por alguns filmes que têm a estrada e o deslocamento como preponderantes em termos de cenário e ação, como o lugar dos fluxos, do fugidio, do efêmero, das sociabilidades, das descobertas, da construção dos imaginários. Especialmente, os filmes que tivessem um forte componente narrativo durante os deslocamentos dos personagens no sertão brasileiro.

Na lista de filmes pesquisados nessa etapa (1995/2007) encontramos dois filmes que têm as narrativas construídas por deslocamentos dentro da cidade de origem: Não por acaso e Jogo subterrâneo. E se os filmes analisados, a estrada ou as beiras das estradas eram ao mesmo tempo, cenários dos filmes e ação da vida dos migrantes em direção a um sonho ou rotas de fugas de uma realidade em direção a outra, ou ainda, se às vezes, a estrada representava um retorno, um reencontro com as tradições e com o local de origem, os filmes Não por acaso e Jogo subterrâneo têm uma intensa narrativa praticamente desenvolvida enquanto os protagonistas se deslocam na e pela cidade.

Para essa comunicação consideramos interessante apresentar quais imaginários e quais realidades são construídas no e com o deslocamento das personagens.

Bibliografia

AUGÉ, Marc. Por una antropologia de la movilidad. Ba: Gedisa, 2007.



ANDRADE, Oswald: Sex-Appeal-Genaro, en Boaventura, Maria Eugênia (org). Estética e política, São Paulo, Globo, 1992.



CALVINO, Ítalo: Cidades Invisíveis. Tradução de Diogo Mainardi, São Paulo, Companhia das Letras, 1990.



GODINHO, Hélder: Imaginário e literatura, en Araujo, Alberto Felipe, Baptista, Fernando Paulo (org). Variações sobre o imaginário. Domínios, Teorizações, Práticas Hermenêuticas. Lisboa, Instituto Piaget, 2003, p:141-167.



STAM, Robert. Introdução à teoria do cinema. Campinas: Papirus, 2003.



WUNENGURGER, Jean-Jacques: Prefácio, en Araujo, Alberto Felipe, Baptista, Fernando Paulo (org). Variações sobre o imaginário. Domínios, Teorizações, Práticas Hermenêuticas. Lisboa, Instituto Piaget, 2003, p18.



FILMES



Não por Acaso. Diretor: Philippe Barcinsky . Colorido. Brasil. 2007.



Jogo Subterrâneo. Diretor: Roberto Gervitz. Colorido. Brasil. 2005.