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  Título
Pedagogias audiovisuais
Autor
Flavio de Souza Brito
Resumo Expandido
Nossa contribuição a essa mesa temática busca traçar um paralelo entre os projetos educacionais com utilização das linguagens audiovisuais e as políticas direcionadas a formação de público a partir da retomada do cinema brasileiro.

Após quase duas décadas de implantação das novas leis de incentivo fiscal, já se torna possível realizar um balanço da retomada. Se de um lado alcançamos um patamar considerável de produção em quantidade e qualidade (sem entrar em possíveis recortes temáticos ou estéticos) de outro, em sua maioria as produções tiveram restrito público e raramente chegaram a TV aberta.

Ao mesmo tempo observamos uma redução do preconceito em relação à produção nacional, outras possibilidades de distribuição e exibição, assim como produções de baixo orçamento possibilitadas pelas tecnologias digitais, revelando a vitalidade dos curtas e dos documentários.

Neste período também já podemos fazer um balanço das iniciativas governamentais e de ONGs que buscam incorporar as novas mídias na dinâmica pedagógica formal ou em projetos sociais e comunitários.

Inicialmente a primeira característica desses projetos é o de serem focados em aporte de equipamentos e número de escolas (alunos/professores) atingidas, envolvendo claramente interesses políticos.

Embora muitos sejam desenvolvidos por profissionais competentes e apresentem méritos, em sua maioria se ressentiram de descontinuidade administrativa e, especialmente, da dimensão de formação, tanto no nível básico de operação dos equipamentos, como no aspecto pedagógico.

O resultado geral tem sido a subutilização ou rápido sucateamento dos equipamentos e, no âmbito pedagógico, em uma utilização instrumental, preenchendo lacunas de horário ou destacando apenas os aspectos conteudísticos, com pouca ou nenhuma reflexão sobre a linguagem utilizada e suas estratégias expressivas.

Nesse contexto, as linguagens audiovisuais aparecem pontualmente nos PCNs, nos materiais didáticos do governo do estado de São Paulo, ou em propostas da classe cinematográfica, tais como umas das resoluções do VI Congresso Brasileiro de Cinema, de 2005:

“Propor ao Ministério da Educação a utilização do audiovisual como material didático-pedagógico no currículo do ensino básico público e privado, através da exibição e discussão de obras brasileiras de produção independente".

Embora louváveis, essas iniciativas correm o risco de ter um destino parecido com a lei 10.639/03, que torna obrigatório o estudo de História e Cultura afro-brasileira, no ensino fundamental e médio. Ainda que represente a mobilização da sociedade organizada, sua implementação prática encontra-se dificultada pela restrição de materiais didáticos e de formação dos educadores.

Já os casos bem sucedidos se deram por uma feliz conjugação de fatores, que envolvem escolas com menor rotatividade de professores, empenho da direção, comunidade mobilizada e/ou apoio de ONGs, que permitiram catalisar as políticas públicas existentes.

Outras iniciativas importantes com forte interface junto à educação referem-se aos Pontos de Cultura e a Programadora Brasil, disponibilizando vasto acervo para exibição pública e gratuita.

No âmbito pedagógico, destacamos ainda as ações integradas que exploram as semelhanças e diferenças, entre as diferentes linguagens (fotografia, RTV e mídias interativas digitais), em uma contextualização histórica, não necessariamente cronológica, mas explorando suas apropriações e continuidades, assim como articulação entre teoria e prática, não necessariamente nessa ordem.

Mais uma vez, o cinema (e as linguagens audiovisuais como um todo), expressa a dissociação entre educação e cultura nas políticas públicas, em todos os níveis de governo. Assim, mutuamente excluídos, a escola não usufrui de uma vasta produção que permitiria discussões sobre a realidade brasileira e a formação de um espectador crítico e o cinema nacional não alcança esse imenso público de jovens e educadores.

Bibliografia

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BERNARDET, Jean-Claude & RAMOS, Alcides Freire. Cinema e história do Brasil. São Paulo: Contexto, 1988.



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