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  Título
A noção de dispositivo em obras de performance audiovisual
Autor
Carolina Dias de Almeida Berger
Resumo Expandido
Tomando como ponto de partida uma revisão da tese sobre dispositivo cinematográfico elaborada por Jean-Louis Baudry, em L’effet cinéma, e somando com outras reflexões filosóficas aos modos de produção maquínicos na criação de imagens técnicas como, Vilem Flusser e Anne-Marie Duguet, a presente proposta trata de uma revisão de teorias em relação ao dispositivo técnico, visando gerar uma discussão sobre os elementos fundamentais que constituem o dispositivo da obra de performance audiovisual. Também, como consequência, buscaremos uma definição da noção de dispositivo técnico em performances audiovisuais, podendo até chegar a uma impossibilidade de elaboração de um conceito sistêmico e imútavel, tendo em vista a veloz transformação e constante modificação tecnológica e criativa que se dá neste território.

A hipótese principal a ser investigada relaciona a noção de dispositivo de Baudry com um sistema, princípio do qual seria impossível partir quando tratamos de performance audiovisual. Como estética e como arte (techné) analisaremos algumas obras deste território, onde não há fronteiras nem nos modos de produção, nem de resultado estético, nem de consumo (uso). Partimos de uma ideia de que a performance audiovisual é uma práxis na qual as máquinas extendem sujeitos (performers criadores) e conectam estes sujeitos ao usuário de sua troca, através dos recursos disponibilizados no aparato técnico. O resultado desta troca é sensorial e parte da consciência do realizador na relação modo de produção e modo percepção/uso.

Serão analisados os processos de criação (modos de produção) e as estruturas dos acontecimentos audiovisuais de artistas que utilizam diferentes formas e que também configuram o processo de produção de diferentes modos.

Como critério, tomamos como referência e investigamos o dispositivos em obras de artistas que são reconhecidos no cenário internacional pela autenticidade de suas performances. Por ter em conta a arte como um território do autêntico tanto pela estética como pela máquina (no sentido flusseriano) que a produz, investigaremos a noção de dispositivo nas seguintes obras: Storm, de Luiz Duva; Inject, de Herman Kolgen; Socket Screen, de Rafael Marchetti e Rachel Rosalen. Temos em conta, principalmente, os modos de uso organizados pelos autores para estas obras, sendo fundamental, a todos, a criação de um espaço (atmosfera, se pensarmos todos os elementos) de percepção dos usuários.

Para fechar a relação conceito-dispositivo nestas obras, serão, ainda, explorados quais os elementos estéticos base da linguagem destas obras, pensando que os mesmos também compõem o projeto conceitual da obra, entrando em relação com seus projetos de solicitar a atividade mental do espectador, em uma atmosfera imersiva, sonoro-visual.

Por fim, o objetivo maior desta pesquisa é refletir sobre a utilização de códigos e ferramentas já dados para criação de um aparato e estética próprios nas performances audiovisuais. A partir de teorias e estudos de Baudry, Flusser e Duguet, a proposta terá uma perspectiva do que é esta conjunção entre tecnologia e obra, pensando na relação de qual é moldada para qual. Ou seja, refletir um pensamento da arte (especificamente dos territórios das vanguardas e do experimental) que propõe que a questão primeira seja: “o que você quer fazer”? (proposta por Randy Jones ) e não “o que você usa”, para constituir uma experiência cinemática.

Estaremos discutindo a pragmática de como artistas, a partir do dispositivo (que difere, aparentemente, a cada obra), agencia os elementos que a constituem, e partiremos, assim, a uma reflexão sobre suas consequencias no campo dos estudos sobre dispositivo técnico e performance audiovisual.



Bibliografia

BAUDRY, Jean-Louis.1978. L'effet Cinéma. Editions Albatros. Paris.

BELLOUR, Raymond. 1997. Entre-imagens – foto, cinema, vídeo. Campinas: Papirus.

DUGUET, Anne-Marie. 2002. Déjouer l’image. Créations électroniques et numériques, Nîmes,

CNAP/Jacqueline Chambon.

DUBOIS, Philippe. 2004. Cinema, vídeo, Godard. São Paulo: Cossac Naify.

FLUSSER, Vilém.1985. Filosofia da Caixa Preta. Ensaios para uma futura filosofia da fotografia. EDITORA HUCITEC. São Paulo.

FLUSSER, Vilém. 2008. O universo das imagens técnicas: elogio da superficialidade. São Paulo: Annablume,

JONES, Randy. 2008. New eyes for the mind. In: DEBACKERE, Boris; ALTENA, Arie (org). The Cinematic Experience. Sonic Acts XII. Amsterdam: The Sonic Acts Press.

MACIEL, Kátia (org). 2009. Transcinemas. Rio de Janeiro: Contra Capa Livraria.

MAKELA, Mia. LIVE CINEMA. Languages and Elements.2006. (Dissertação de mestrado).

Helsinki University of Art and Design. Helsinki, 2006.