/ / / / / / / / / / / / / /      Anais Digitais      / / / / / / / / / / / / / /

  Voltar para a lista
 
  Título
Velhas noções para novos arranjos poéticos
Autor
Patricia Moran Fernandes
Resumo Expandido
Tem sido bastante salutar o investimento de pesquisadores para localizar historicamente recursos expressivos contemporâneos, recorrentes em trabalhos audiovisuais produzidos para diversas mídias. Entendemos recursos expressivos como estratégias discursivas, dispositivos de produção e exibição e recursos de manipulação da imagem, como por exemplo mudança nos parâmetros da velocidade. Partindo da noção de ao vivo, relacionada historicamente ao teatro, televisão e shows musicais pensaremos a mesma como rua de mão dupla na qual temos novos dispositivos técnicos para poéticas consolidadas e novos arranjos poéticos atravessados por noções como por exemplo o ao vivo. Nem todas se dão efetivamente ao vivo.

O ao vivo é condição do teatro, e em seu início, da TV. Mesmo sendo as transmissões mediadas por tecnologia, aconteciam simultaneamente a execução, transmissão e recepção. Havia uma implicação técnica do meio, ou seja, a falta de máquina para armazenar o evento, colocava o ao vivo como uma condição. A primeira tecnologia de armazenamento para posterior reprodução foi cinematográfica, o kinescope. O advento do videotape liberou a televisão e lhe conferiu a possibilidade de transformar o ao vivo em recurso expressivo. Arlindo Machado chega a afirmar que podemos pensar neste recurso como um gênero. Se não como gênero televisivo, pelo menos, entendemos nós, como gênero, ou uma marca presente diversos trabalhos contemporâneos. Essa marca pode ser tanto uma estratégia poética que permite aflorar a instabilidade de eventos executados simultaneamente a sua apresentação, ou seja, de performances artísticas ou mesmo filmes que levam o erro e marcas de enunciação para o público. O noção de ao vivo é ainda utilizada devido a recursos técnicos como programas, mesas de corte que não mais produzem o evento simultaneamente, mas o organizam para a apresentação pública.

Partiremos do trabalho de Alexandre Rangel e seu aplicativo Quase-Cinema, do cinema ao vivo de Bruno Viana e das experiências Jarbas Jacome para problematizar algumas acepções da noção de ao vivo e sua presença na mídia contemporânea, seja ela das galerias, ruas, estádios ou da televisão. Nosso objetivo é trazer o deslocamento desta noção e sua relação com performances das vanguardas. Será que podemos pensar o ao vivo como uma ferramenta contemporânea, como uma máquina de produzir comportamentos de maneira modular? As estratégias previstas nos programas e os trabalhos nos ajudarão a responder tais questões.
Bibliografia

Auslander, Philip. Liveness. Performance in a mediatized culture. 2nd ed. London and New York : Routledge, 2008.

Doane, Mary Ann. The emergence of cinematic time. Modernity, contingency, the archive. London, England: Harvard University Press,02002.

Dubois, Philippe. Cinema, vídeo, Godard. São Paulo: Cosacnaify, 2004.

Machado, Arlindo. A simulação da imagem. In: Máquina e Imaginário. São Paulo: Edusp, 1993.

Manovich, Lev. The Language of new media. Cambridge: MIT Press, 2000.

Parente, André. A forma cinema: variações e rupturas. In: Maciel, Kátia (org.). Transcinemas. Rio de Janeiro: Contra-capa, 2009.

Rees, A.L.; White, Duncan; Ball, Steven; Curtis, David. Expanded cinema: Art, Performance, Film. Tate Publishing: London, 2011.

Simondon, Gilbert. El modo de existência de los objetos técnicos. Prometeo libros: Buenos Aires, 2008.