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  Título
A legião dos rejeitados. Exclusão, hegemonia e outras questões do cinema brasileiro nos anos 2000
Autor
João Guilherme Barone Reis e Silva
Resumo Expandido
As recentes manifestações do cineasta Fernando Meirelles, sobre a frustração com o baixo desempenho de público do longa-metragem Xingu (Cao Hamburger, 2012) do qual é um dos produtores, recolocam os axiomas recorrentes da aceitação do cinema brasileiro por seu público nativo e do desempenho dos filmes em seu próprio mercado, a partir de um determinado meio ambiente no qual os filmes são distribuídos.

Ao lado da imponderabilidade do comportamento do público que frequenta as salas de cinema nas diferentes regiões do país, há evidências de que outros fatores possam atuar como variáveis importantes entre as causas do baixo desempenho de público que caracteriza a maioria dos lançamentos nacionais.

Esta comunicação pretende aprofundar as questões cotejadas no projeto de pesquisa Comunicação, tecnologia e mercado. Assimetrias, desempenho e crises do cinema brasileiro contemporâneo, recortando exatamente os filmes de baixo desempenho. Os lançamentos nacionais no mercado de salas entre os anos 2000-2009 correspondem a um total de 519 filmes, dos quais apenas 30 ultrapassaram a marca de um milhão de espectadores. A maioria, num total de 354 filmes, registrou público abaixo de 50 mil espectadores.

Estes dados, processados a partir dos levantamentos da ANCINE serão revisitados em busca de questões relacionadas aos fenômenos relacionados à existência desta legião de filmes rejeitados. Há evidencias de um processo de exclusão crônico que impede a circulação destes filmes em condições mais favoráveis. É possível identificar um movimento assimétrico que corresponde ao aumento da quantidade de filmes de baixo desempenho na medida em que crescem os lançamentos nacionais.

No ano 2000, dos 23 títulos lançados, 16 ficaram abaixo dos 50 mil espectadores. Em 2009, dos 84 lançamentos nacionais, 65 entraram nessa categoria. Por outro lado, há igualmente evidências do surgimento de um cinema brasileiro hegemônico, cujo sucesso faria alimentar o crescimento desta legião de filmes rejeitados.

Esta comunicação vai trabalhar com aspectos multidimensionais, buscando as interseções de fatores que transitam entre o político, o econômico, o tecnológico e o sócio cultural, para refletir sobre o que seria um processo de transformação da diversidade da produção cinematográfica brasileira, numa espécie de condenação ao fracasso e ao esquecimento.
Bibliografia

BARONE, João Guilherme B. Reis e Silva. Cenários tecnológicos e institucionais do cinema brasileiro na década de 90. Porto Alegre: Sulina, 2009.



CRETON, Laurent. Économie du cinéma. Perspectives stratégiques. Paris: Nathan, 1994.



DIAS, Adriana e SOUZA, Letícia. Film business. O negócio do cinema. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010.



LIPOVETSKY, Giles e SERROY, Jean. A tela global: mídias culturais e cinema na era da hipermoderna. Porto Alegre: Sulina, 2009.



MARSON, Melina Izar. Cinema e políticas de estado da Embrafilme à Ancine. Indústria

Cinematográfica Brasileira, Vl. 1. MELEIRO, Alessandra (Org.). São Paulo: Escrituras Editora, 2009.