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  Título
Elementos de circulação viral na ordem da tela cinematográfica
Autor
Andrea Limberto Leite
Resumo Expandido
O primeiro contato com a notícia sobre produtos cinematográficos pode se dar hoje pela rede de computadores. Eles podem ser divulgados nesse ambiente, na forma de vídeos de comunicação viral ou ainda, em alguns casos, o filme mesmo é disponibilizado pelo artista como forma preferencial de comunicação com seu público (sem mencionar os casos não formais de pirataria). Procuramos estudar como a perspectiva da presença desses materiais online implica uma reorganização estética associada a modelos genéricos tradicionais.

Acreditamos que a sutil interação que começamos a apontar entre formatos veiculados na tela grande e naquela do computador está na readaptação estética estabelecida conforme há o contato. Se quisermos falar nos termos preferidos no âmbito das novas tecnologias, existe uma convergência ou divergência em torno de um conceito associado à produção audiovisual. Estamos lidando com um processo de duas vias, das quais privilegiaremos uma. No primeiro caso os modelos genéricos do cinema informam os vídeos produzidos para a rede, amadoristicamente ou não. No segundo caso, em que pretendemos nos concentrar como observação de uma prática que consideramos rica de deslocamento, os filmes incorporam materiais que estabelecem de alguma forma uma relação intertextual com a linguagem da internet. Ou, ainda, são criados – todo ou em parte – de forma a serem disseminados neste meio.

Pretendemos, assim, identificar os elementos que relacionam a produção para o cinema e seu formato de apresentação na internet, apontando características formais associadas aos diversos modelos genéricos. Apontaremos produções que representam especialmente essa confluência. Atentamos especialmente para o caso da produção de Baladas em Nova York (1995) de A Bruxa de Blair (1999), como momentos iniciais da efetivação de um diálogo e, mais recentemente, da divulgação de Cloverfield - Monstro (2008). Entendemos que os gêneros da comédia e do horror favorecem a relação com a circulação dos vídeos na internet.

A recuperação dos modelos de vídeos de divulgação deve retraçar a experiência do videoclipe e também os hibridismos com a propaganda. O que consideramos especialmente relevante é a identificação de elementos na cena como índices de uma realidade que referencia intertextualmente o formato de novas mídias e a circulação nelas. Os elementos que circulam na internet são incorporados nos filmes reapropriando seu caráter viral, dissidente e às vezes até mesmo subversivo ou obsceno.

Nosso objetivo é reconhecer uma tendência manifestada em algumas produções e que potencialmente desloca modelos genéricos na medida em que agrega elementos à cena do filme cuja referência estabelece uma circulação fora dele no ambiente da rede. Tais elementos informam o espectador e não deixam, assim, de compor a experiência do filme.
Bibliografia

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