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  Título
História e narrativas audiovisuais: de fato e de ficção
Autor
Marcius Freire
Coautor
Rosana de Lima Soares
Resumo Expandido
O título desta proposta tem origem na problematização de conceitos tributários da história e dos estudos de cinema. As noções de verdade, objetividade, realidade e linguagem (atravessando as teorias da representação e da apresentação do mundo histórico) são colocadas como fundamentais no debate acadêmico sobre as formações discursivas constituintes do imaginário contemporâneo e o estatuto das imagens.

O estabelecimento das fronteiras entre fato e ficção tem ocupado, há algum tempo, o campo de estudos do audiovisual. Nesta comunicação, propomos pensar essa questão a partir de um deslocamento: buscar, nos artefatos audiovisuais, as fronteiras entre o que chamaremos de “referencialidade” e aquilo que, por outro lado, coloca-se como “ficcionalidade” no interior de tais artefatos privilegiando narrativas contemporâneas presentes em filmes de ficção, documentários e/ou reportagens que abordem temáticas semelhantes.

Ao fazê-lo, assumimos de modo radical a não-disjunção entre fato e fantasia e, de modo mais abrangente, entre realidade e fabulação. Verdade e realidade costumam andar juntas nos discursos referenciais e naqueles que tomam a representação objetiva e fiel do mundo histórico concreto para seu modo de operação, em oposição àqueles tidos como discursos ficcionais. Por meio das análises, buscaremos problematizar as dicotomias comumente atribuídas aos regimes de visibilidade presentes nas mídias e destacar um espaço propício à circulação de narrativas híbridas, passíveis de serem ressignificadas pelos espectadores.

Essa temática insere-se no debate sobre formatos audiovisuais cada vez mais hibridizados em termos tecnológicos, estéticos, éticos e narrativos, em que formas factuais e formas ficcionais compõem, no cinema e na televisão, um modo diverso de reconstituir a história recente dos diversos grupos sociais representados nas mídias. Dentre as possibilidades analíticas que se colocam para o trabalho, buscaremos apontar, nos discursos audiovisuais, de que maneira um certo modo de inscrição do “real” se insere em suas narrativas, estabelecendo um contrato de leitura calcado na referencialidade e na naturalização de seus artifícios. O tema proposto, portanto, trata dos discursos audiovisuais contemporâneos – televisão e cinema – a fim de estabelecer um estudo contrastivo entre eles, apontando seus pontos de contato e afastamento, e as especificidades de cada um.

As aproximações e distanciamentos das narrativas cinematográficas e televisivas são, desse modo, o locus no qual demonstrar a hipótese de que as discursos audiovisuais contemporâneos se constituem a partir de hibridismos entre elementos factuais e ficcionais e, mais do que isso, a partir de uma reafirmação da possibilidade de representação fiel (ou verdadeira) da realidade histórica.
Bibliografia

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