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  Título
"Pra frente Brasil" entre a censura e o posicionamento político
Autor
WALLACE ANDRIOLI GUEDES
Resumo Expandido
A presente pesquisa busca discutir as relações entre censura e representação cinematográfica do passado histórico nos anos finais da ditadura civil-militar brasileira, a partir do caso do filme "Pra frente Brasil", dirigido por Roberto Farias e lançado nos cinemas brasileiros em 1983, após passar por longo processo nos órgãos de censura. Avalia-se até que ponto o modo representativo e o discurso político adotados por Farias são condicionados pelas pressões censórias existentes no período ou meramente expressam um posicionamento político do cineasta, possivelmente condizente com sua trajetória profissional e institucional. Também é preocupação deste trabalho refletir sobre a construção, a partir de "Pra frente Brasil", de um olhar cinematográfico hegemônico sobre os anos da ditadura civil-militar, olhar que se estenderia até os dias atuais, bem como pensar a noção de resistência cultural à ditadura a partir do cinema, problematizando posições que tendem à naturalização do uso de tal noção para qualquer produção artística daqueles anos que fosse minimamente politizada. Não se trata aqui de julgar peremptoriamente, determinando se um filme é ou não “de resistência”, mas de um esforço crítico em torno de um conceito tão disseminado de maneira tão irrefletida.

Ao tomar "Pra frente Brasil" como objeto de reflexão, busca-se analisar tanto a narrativa fílmica em si quanto as relações estabelecidas entre seu principal realizador, o diretor, produtor e roteirista Roberto Farias, e as instâncias de atuação governamental no setor cultural, especialmente a Embrafilme e o Departamento de Censura às Diversões Públicas (DCDP), uma vez que Farias foi, por cinco anos (1974-1979), diretor-presidente da Embrafilme, tornando-se figura de proa na produção cinematográfica do país e mantendo relações diversas no interior do governo, e que o filme em questão passou por um longo processo dentro do DCDP até conseguir sua liberação para exibição comercial, nos primeiros meses de 1983. A análise de tal processo e da trajetória de Farias permite a este trabalho localizar "Pra frente Brasil" entre a intervenção censória e o posicionamento político, ou seja, discutir até que ponto o discurso político presente no filme é moldado por concessões de Farias à censura ou por convicções suas, inclusive verbalizadas à imprensa quando do lançamento do filme.
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