/ / / / / / / / / / / / / /      Anais Digitais      / / / / / / / / / / / / / /

  Voltar para a lista
 
  Título
Desvelando imagens: o visível e o indizível em A pele que habito, de Pedro Almodóvar.
Autor
Debora Breder
Coautor
PALOMA COELHO
Resumo Expandido
A pele que habito (2011), de Pedro Almodóvar, tornou-se uma referência quase obrigatória nos estudos de gênero & cinema: inúmeros são os trabalhos que abordam os deslocamentos e subversões que a trama desfia a partir da construção das personagens e de seus enredos biográficos. O objetivo desta comunicação, contudo, é propor uma reflexão sobre as diferentes “camadas de significado” que sedimentam imageticamente a narrativa cinematográfica – significados estes, não raro, contraditórios, que iluminam as zonas de sombra nas quais o pensamento simbólico tematiza a diferença.

Assim, propõe-se analisar, primeiramente, o discurso explícito da trama, que enquadra não só o processo de mudança de sexo, como também a complexidade e a transitoriedade das categorias “corpo” e “gênero”, demonstrando seu caráter construtivo e inacabado ao se desvincular de categorizações fixas e essencialistas. Pretende-se discutir de que forma a narrativa problematiza e desloca as noções de “masculino” e “feminino”, abordando-as como construções culturais e implodindo padrões sociais de “normalidade” e de “anormalidade” ao desconstruir aspectos dados como naturais e universais sobre as performances de gênero.

A seguir, propõe-se analisar o discurso simbólico da trama, considerando que o cinema é constituído não apenas pelo que é “refletido” na tela, mas também pelo que é “projetado” em seus interstícios; ou seja, por um conjunto de ideias e valores que escapam às próprias intenções do autor. Focando um determinado plano do filme – que desvela o “não visível através do visível” ou o “latente por trás do aparente”, segundo expressão de Ferro –, pretende-se analisar de que forma o discurso simbólico da trama constitui uma espécie de contra discurso em relação ao que o longa-metragem explicitamente proclama.
Bibliografia

BUTLER, Judith. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.

FERRO, Marc. “O filme: uma contra-análise da sociedade?”. In: LE GOFF, J., NORA, P. (Org.), História: novos objetos. Rio de Janeiro, Livraria Francisco Alves, 1976.

HÉRITIER, Françoise. Masculin/Féminin. La pensée de la différence. Paris, Éditions Odile Jacob, 1996.

LAURETIS, Teresa de. Alice doesn’t: feminism, semiotics, cinema. Bloomington: Indiana University Press, 1984. 220 p.

LAURETIS, Teresa. Technologies of gender: essays on theory, film and fiction. Bloomington: Indiana University Press, 1987.

MOISSEEFF, Marika. “La procréation dans les mythes contemporains. Une histoire de science-fiction”. In : Anthropologie et Sociétés, vol. 29, № 2, 2005.