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  Título
SUPER8 CIRCUITOS: o pequeno cinema entre espaços, debates e polêmicas
Autor
Flavio Rogerio Rocha
Resumo Expandido
A questão central que move este artigo, é o movimento cultural em torno do profícuo e diversificado escopo de espaços que se envolveram com a produção e a exibição de filmes Super8 durante a década de 1970 em nosso país. A bitola Super8, o antigo formato 8mm, que reduzindo o tamanho das perfurações na película, aumentava o espaço para o quadro de imagem, rapidamente caiu no gosto de uma série de pessoas interessadas em trabalhar com cinema. Mas que até aquele momento não haviam tido a oportunidade de fazê-lo, por causa de seus altos custos. Amadores, aspirantes a cineastas, artistas plásticos, músicos, poetas, entre outros, lançaram mãos desta nova ferramenta para expressar seus pensamentos e seus posicionamentos políticos, através das imagens em movimento produzidas por uma câmera Super8. Em um momento delicado sob o ponto de vista das liberdades individuais e das manifestações políticas, esses personagens aglutinaram-se em torno de circuitos que exibissem seus filmes, criando redes alternativas ou se utilizando de espaços já estabelecidos em festivais e mostras consagradas ao grande cinema por todo o país. Recorrente era o alto grau de polêmica que esses circuitos de exibição acabavam gerando. Além, também, da tensão criada pela censura, por onde muitos filmes passavam, antes da sua exibição em circuitos de maior circulação, como a Jornada Brasileira de Curta-metragem de Salvador (1974-1978), e o Festival de Cinema de Gramado (1973-201_), no Rio Grande do Sul. Os festivais, dedicados somente a exibição da produção superoitista, também se tornavam espaços de tensionamentos políticos, como as edições da Mostra Nacional do Filme Super 8, realizado na antiga Escola Técnica Federal do Paraná (1975-1979), em Curitiba, e do Super Festival Nacional do Filme Super8 realizado pelo Grupo de Realizadores Independentes de Filmes Experimentais, na cidade de São Paulo, entre os anos de 1973 e 1983. Também, fazem parte desta movimentação em torno da bitola, iniciativas isoladas de mostras e circuitos alternativos, como: a EXPO-PROJEÇÃO 73, que reuniu diversos artistas plásticos em torno de suportes como o som, o áudio-visual, o Super8 e o 16mm, na cidade de São Paulo em 1973. Ou como o Festival Nacional de Curta-metragem do Rio de Janeiro (RJ), o Festival Nacional Filme Super8 em Campinas (SP), o Festival Nacional de Cinema Amador de Sergipe (SE), a Mostra do Filme Superoito da Região Sul – Abertura 8 (1980, PR), entre tantas outras iniciativas. Podemos considerar, também, fazendo parte da discussão em torno dessa produção cultural, os diversos cineclubes espalhados pelo país, organizados nacionalmente, que tornaram-se canais de divulgação, além de fomentadores da produção na bitola Super8.
Bibliografia

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• FIGUEIRÔA, Alexandre. O Cinema Super 8 em Pernambuco: do lazer doméstico à resistência cultural. Recife: FUNDARPE, 1994.

• HOLLANDA, Heloísa Buarque de. Impressões de Viagem: CPC, Vanguarda e Desbunde, 1960-1970. Rio de Janeiro: Rocco, 1992.

• MACHADO, Rubens. Marginália 70: O Experimentalismo no Super 8 Brasileiro. São Paulo: Itaú Cultural, 2001.

• REMIER. Ivan Cardoso: O Mestre do Terrir. São Paulo: Impressa Oficial, 2008. (Coleção Aplauso).

• SELIGMAN, Flávia. Verdes Anos do Cinema Gaúcho: o ciclo super-8 em Porto Alegre. 1990. 100 f. Dissertação (Mestrado em Comunicação) Escola de Comunicação e Artes, Universidade de São Paulo, São Paulo. 1990.

• XAVIER, Ismail. Alegorias do Subdesenvolvimento: Cinema Novo, Tropicalismo, Cinema Marginal. São Paulo: Brasiliense, 1993.