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  Título
Descolcamento e subjetividade: a experiência de andar de ônibus no documentário brasileiro
Autor
Gustavo Souza
Resumo Expandido
Nas últimas duas décadas, os debates sobre a subjetividade no documentário, não unicamente, mas frequentemente, tem privilegiado a perspectiva do documentário-ensaio (RENOV, 2004). Tão importante quanto essa tendência é também voltar-se para outras possibilidades da presença de aspectos subjetivos no documentário. Nesse horizonte, pretendemos debater a existência de uma “produção de subjetividade” (GUATTARI e ROLNIK, 2007; CAIAFA, 2002) em Handerson e as horas (Kiko Goifman, 2007) e Rio Doce/CDU (Adelina Pontual, 2011) – documentários sobre a experiência de andar de ônibus em centros urbanos. Handerson e as horas acompanha Handerson, morador do extremo da zona sul de São Paulo, do trajeto de casa ao trabalho. Rodado no período da manhã, num trânsito engarrafado, o ônibus onde se passa toda ação é palco para conversas, para um cochilo, para leituras, para ouvir música e, inclusive, para uma festa de aniversário improvisada. Rio Doce/CDU tem como “personagem” a linha de ônibus que empresta o título ao documentário. O filme ouve usuários, motoristas e cobradores desde sua partida (Olinda) ao ponto final (Recife). Nosso objetivo é, então, perceber a maneira como os dois documentários dão vazão às questões subjetivas diante de uma experiência que, em muitos casos, pode ser hostil, desconfortável ou até perigosa. Nessa direção, Eleftheriotis (2012) investiga as alterações subjetivas e de comportamento no ato de se deslocar quando esse tema é abordado pelo cinema, tornando-se, assim, uma referência útil. Ao tomar como eixo o deslocamento na cidade, via ônibus, seria possível, então, identificar traços de um espaço de enunciação subjetiva que apresentaria desventuras, riscos, edições, suspensões, dissonâncias; enfim, um limiar de múltiplas possibilidades.
Bibliografia

CAIAFA, Janice. Jornadas urbanas: exclusão, trabalho e subjetividade nas viagens de ônibus na cidade do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: FGV, 2002.



CERTEAU, Michel de. A invenção do cotidiano. 14. ed. Vozes: Petrópolis, 2008.



ELEFTHERIOTIS, Dimitris. Cinematic journey: film and moviment. Edinburgh: Edinburgh University Press, 2012.



GUATTARI, Félix & ROLNIK, Suely. Micropolítica: cartografias do desejo. 8. ed. Petrópolis: Vozes, 2007.



LINS, Consuelo & MESQUITA, Cláudia. Filmar o real. Sobre o documentário brasileiro contemporâneo. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.



RENOV, Michael. The subject of documentary. Minneapolis: University of Minnesota Press, 2004.