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  Título
A pirataria enquanto meio de acesso aos filmes underground
Autor
Liana Gross Furini
Resumo Expandido
A pirataria no contexto cinematográfico é definida por Segrave (2003) como o uso ou a reprodução e distribuição não autorizada de um filme. A prática acompanha a indústria desde seu início em fins do século XIX conforme Toulet (1995), sendo responsável indireta pela preservação de versões originais de filmes como Viagem à Lua (do original A Trip To The Moon), filme de 1902 de Georges Méliès, que se perdeu quando uma companhia concorrente conseguiu fazer o seu próprio negativo do mesmo filme (DECHERNEY, 2012). O catálogo dos mais de 500 filmes de Méliès só foi sendo completo à medida que seus filmes, que haviam sido pirateados, foram encontrados. A digitalização dos processos envolvidos somada à difusão da internet apontada por Gilder (2001) e Castells (2008) facilitou a circulação das obras e fomentou um meio paralelo aos canais de distribuição tradicionais.

A pirataria é vista como forma de transgressão do curso oficial de consumo de filmes, mas normalmente não é levado em consideração que a internet pode ser a única alternativa para quem quer consumir produtos que estão fora do circuito pop. A questão que queremos analisar nesse trabalho é o que acontece com esses filmes depois que eles saem das salas de cinema.

Pegamos como exemplo o longa-metragem de horror Deixa Ela Entrar (do original Låt Den Rätte Komma In ), de 2008, do diretor sueco Tomas Alfredson. O filme foi distribuído pela Magnolia Pictures e, segundo o site The Internet Movie Database (IMDB, 2013), chegou aos cinemas brasileiros no dia 2 de outubro de 2009, bastante tempo depois do seu lançamento na Suécia, em 26 de janeiro de 2008. Escolhemos esse filme em função da sua distribuição ter sido restrita no Brasil, principalmente em Porto Alegre.

Depois que os filmes param de ser exibidos nas salas de cinema, eles podem ser adquiridos em DVD ou Blu-Ray em lojas do país. Porém, o caso desse filme foi diferente. Em 1 de outubro de 2010 foi lançada uma versão hollywoodiana desse filme, do diretor Matt Reeves, com o nome de Deixe-me Entrar (do original Let Me In). Essa versão ocupou o lugar do original sueco primeiramente nas salas de cinema – o filme sueco esteve em 53 salas de cinema no mundo inteiro, enquanto o americano foi exibido em 2.020 salas, segundo o site Box Office Mojo – e também nas estantes das lojas e locadoras brasileiras. O filme de Alfredson não está à venda nos sites de três grandes lojas de filmes brasileiras: Livraria Saraiva (www.livrariasaraiva.com.br), Livraria Cultura (www.livrariacultura.com.br) e Submarino (www.submarino.com.br) e nem está disponível para aluguel no site da locadora Blockbuster (www.blockbusteronline.com.br). Em contraponto, só no site torrentz.eu tem 6 versões do filme, 4 delas em DVDRip (ou seja, em qualidade de DVD). Na rede privada de downloads de torrentes bj2.me tem 3 versões do filme em DVDRip já com legendas em português sincronizadas.

Essa comunicação faz parte de uma pesquisa de mestrado, que não se conclui com a finalização desse trabalho. Por enquanto, podemos dizer que a pirataria não só facilitou o acesso aos filmes menos populares. Mais do que isso, ela permitiu que alguns filmes permanecessem vivos através da internet. Falaremos mais sobre o assunto na comunicação ao vivo.
Bibliografia

Box Office Mojo. Disponível em www.boxofficemojo.com, acesso em 23 de março de 2013.

CASTELLS, Manuel. A era da informação: economia, sociedade e cultura. 11a edição. São Paulo: Paz e Terra, 2008.

DECHERNEY, Peter. Hollywood's Copyright Wars. New York: Columbia University Press. 2012GILDER, George. Telecosmo. São Paulo: Campus, 2001.

GILDER, George. Telecosmo. São Paulo: Campus, 2001.

IMDB. Disponível em www.imdb.com, acesso em 23 de março de 2013.

SEGRAVE, Kerry. Piracy in the Motion Picture Industry. North Carolina: McFarland, 2003.

TOULET, Emmanuelle. Cinématographe, invention du siècle. Paris: Galimard, 1995.