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  Título
O mercado mexicano de cinema no século XX
Autor
Roger Luiz da Cunha Bundt
Resumo Expandido
Introdução: o artigo analisa em panorama a evolução do mercado cinematográfico mexicano no século XX, a interação entre os subsetores na formação, organização e busca da autossustentabilidade, observando os níveis de competição e colaboração entre os agentes internos e externos. Observam-se os momentos e movimentos de acordo e desacordo entre produtores, distribuidores e exibidores, a ação frente às autoridades governantes para obterem medidas favoráveis para suas atividades, bem como os desenvolvimentos e resultados de tais articulações.



Objetivo: analisar a organização do mercado cinematográfico mexicano no século XX, em termos de competitividade e convivência entre os subsetores e os agentes estrangeiros.



Metodologia: a técnica de pesquisa é a revisão bibliográfica, o método de trabalho é o Materialismo Histórico-Dialético, que considera a ação de atores dentro de uma estrutura (contextos políticos e econômicos) histórica específica. A Economia Política da Comunicação é o recorte teórico-metodológico, advinda do Materialismo Histórico, direciona o olhar sobre os fatores e atores no jogo de forças entre o laissez faire do mercado e a regulação estatal.



Dados levantados: O mercado de filmes mexicanos se desenvolveu antes na exibição, para depois surgirem e fortalecerem-se a produção e a distribuição, competindo desde sempre com as importações dos EUA. Em 1934, havia 21 produtoras mexicanas em atividade e as distribuidoras eram todas estrangeiras, trabalhando para um público médio de 16 milhões de pessoas, a maioria analfabeta. O crescente público garantiu fortes bilheterias, a comédia ranchera se consagrou como o gênero mais popular. O governo sancionou a exigência de exibição de filmes mexicanos desde cedo, e os distribuidores enviavam os piores filmes mexicanos para as melhores salas, garantindo assim o rápido fracasso de bilheteria e sua pronta substituição por filmes mais lucrativos, estrangeiros. A desconfiança entre os produtores e os demais subsetores impediu a cooperação no longo prazo.

Durante a Segunda Guerra Mundial, a indústria mexicana se beneficiou da retirada dos EUA do mercado produtor e exibidor, pelo envolvimento do país no esforço de guerra. O crescimento do mercado foi favorecido pelo Banco de Cinema, instituição estatal destinada exclusivamente ao financiamento para o cinema, caso único no mundo até hoje, concedeu largas verbas aos maiores produtores mexicanos. Grovas, Filmex, Films Mundiales e CLASA foram responsáveis pela produção de um quarto de todos os filmes mexicanos do período Entre Guerras, e as duas últimas empresas se fundiram em 1945.

Nem todos os segmentos da indústria beneficiaram-se igualmente das mudanças econômicas do pós-guerra, e os conflitos sobre a política de comércio para filmes intensificaram-se, em função do inevitável retorno dos Estados Unidos aos mercados da América Latina. Dos anos 1950 até o fim dos anos 1990, a situação do mercado mexicano de cinema seguiu tão incerta quanto intensa em intervenções do governo e querelas entre os subsetores, levando a resultados muito bons ora para um, ora para outros, mas nunca para o mercado como um todo, nem de modo perene.



Conclusão: a contínua organização do mercado mexicano de cinema foi eficiente em pressionar os governos por proteção e fomento em situações específicas, mas falhou ao gerar resultados de longo prazo. Ao longo de um século de atividades, as relações entre produtores, distribuidores e exibidores, bem como sua interação com os consumidores e concorrentes estrangeiros, afetaram a capacidade de garantir resultados políticos satisfatórios para o desenvolvimento e sustentabilidade do setor, refletiu a força organizacional e a unidade de atores de diferentes subsetores e a sua capacidade de mobilizar recursos em prol dos seus objetivos.



Palavras-Chave: Cinema; Indústria Cinematográfica; Mercado Cinematográfico; Economia Política da Comunicação; Comércio Audiovisual.
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