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  Título
Poéticas ciberculturais:narrativas da informação e auto reflexividade
Autor
Mariana Tavernari
Resumo Expandido
Este trabalho está destinado a trabalhar como a centralidade da cibercultura na contemporaneidade (Felinto, 2008; Macek, 2005) abordando as diversas formas de expressões narrativas enunciadas nas mídias digitais, as chamadas narrativas digitais (Ryan, 2006). As narrativas digitais devem ser compreendidas, assim, no contexto de processos de interdependência semiótica passando, necessariamente, pelo estudo da construção do sentido e dos efeitos de verdade (Charadeau, 2007) e efeito de real (Aumont, 2008) que modulam o fluxo narrativo nas redes do ciberespaço no contexto da convergência (Jenkins, 2008), projetando não a busca de uma verdade e de um real, mas de credibilidade e verossimilhança, permitindo a cristalização de imaginários e viabilizando processos de construção de campos discursivos marcados por certa coerência discursiva e estética.

Na junção entre as articulações discursivas, ou seja, os componentes que caracterizam as narrativas digitais e os processos de agenciamento, modos de subjetivação colocados pelos dispositivos maquínicos na contemporaneidade serão investigados os componentes estéticos e discursivos da cibercultura. Tal visão está em sintonia com a noção de gênero do discurso que determina uma série de protocolos que constituem conjuntos de expressões culturais. Assim como a pintura ao longo de sua história fez uso das diversas formas perspectivistas para a representação, como a televisão na telenovela um de seus gêneros mais apreciados, as mídias digitais também trabalham de forma a realizar coerções genéricas e determinar suas formas narrativas.

Trata-se, portanto, de verificar o processo de construção das poéticas das narrativas digitais, distinguindo suas funções, efeitos e usos culturais, aproximando-se da noção de poética histórica do cinema, de Bordwell: “'Poética' refere-se ao estudo de como os filmes são colocados em conjunto e como, em contextos determinados, eles provocam efeitos particulares” (Bordwell, 1989: 372). Diferente de uma concepção e compreensão hermenêutica das narrativas em rede, o objetivo do trabalho em questão está na busca das particularidades e especificidades das narrativas digitais no contexto histórico, teórico e crítico contemporâneo. Não se trata apenas de investigar as materialidades textuais e empíricas dessas narrativas em seus textos, imagens e sons, mas de identificar os princípios de construção de efeitos poéticos.

Determinado tipo de relação entre as articulações discursivas e os processos de agenciamento caracteriza uma formação poética bastante disseminada na e pela cibercultura: as narrativas que chamaremos aqui de “narrativas da informação”, colocadas sob a premissa de que, tanto no universo diegético, quanto nas formas interativas (Murray, 2003), efeito de sujeito está oculto, gerando um efeito de sentido de objetividade bastante forte. Assim, trata-se de articulações discursivas que não admitem uma matriz enunciativa única (Machado, 2007), subjetivada, mas uma diversidade de vozes, impessoais e objetivadas. Fazem parte desse universo das narrativas digitais determinados filmes não interativos e digi-documentários.

A informação, tematizada como grande protagonista dessa narrativa cibercultural, emerge especialmente em documentários que colocam a internet como o centro das novas ordenações da contemporaneidade, colocadas sob o padrão digitalizado e interconectado. Os mecanismos de figurativização dessa narrativa remetem a uma série de aproximações metafóricas com a noção de inteligência coletiva, rede de informações, entre outros termos que caracterizam a interconexão generalizada de informações. Outra característica das “narrativas da informação”, sua natureza autoreflexiva (Matrix, 2006) também será investigada e interpretada como herança do mesmo potencial da comunicação de massa. conforme Craig (1999: 120): Yet the introduction of a new technology always seems to provoke thoughtfulness, reflection, and self-examination in the culture seeking to absorb it
Bibliografia

AUMONT, Jacques. A imagem. Campinas, SP : Papirus, 2008.



BORDWELL, D.: Historical Poetics of Cinema. In: Palmer, R. Barton (ed.): The Cinematic Text: Methods and Approaches. New York: AMS Press, 1989. pp. 369–398.



CHARAUDEAU, Patrick. Discurso das mídias. São Paulo: Contexto, 2007.



FELINTO, E. Think different: estilos de vida digitais e a cibercultura como expressão cultural. Revista FAMECOS, v. 37, p. 13-19, 2008.



JENKINS, H. Cultura da Convergência. São Paulo: Aleph, 2008.



MACHADO, A. O sujeito na tela – modos de enunciação no cinema e no ciberespaço. São Paulo: Paulus, 2007.



MACEK, Jakub. "Defining Cyberculture", 2005. Disponível em: http://macek.czechian.net/defining_cyberculture.htm.



MATRIX, Sidney Eve. Cyberpop: digital lifestyles and commodity culture. New York: Routledge, 2006.



MURRAY, J. Hamlet no Holodeck: o futuro da narrativa no ciberespaço. São Paulo: Itaú Cultural: Unesp, 2003.



RYAN, M-L. Avatars of Story, University of Minnesota Press, Minneapolis/London, 20