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  Título
A animação do documentário: representações do real através da animação
Autor
Jennifer Jane Serra
Resumo Expandido
A utilização de animação no cinema documentário vem contribuindo para expandir as possibilidades expressivas desse formato e estender sua compreensão para além das noções tradicionalmente associadas ao gênero, como transparência, objetividade fotográfica e autenticidade. Nossa proposta para essa apresentação é analisar as particularidades da imagem animada e das estratégias narrativas da animação no contexto de uma narrativa documentária. Trabalhando com produções nacionais e estrangeiras, pretendemos responder à questão: se a imagem animada pode representar a realidade, de que modo ela faz isso e como ela se difere da imagem da câmera em seu modo de representação? Em sua obra Understanding Animation, o teórico Paul Wells realiza um estudo de métodos de construção narrativa em cinema de animação que nos servirá de base para analisar como o documentário animado oferece uma abordagem de pensamentos, sentimentos, fatos e conceitos através da animação. Entendemos que leitura fílmica é influenciada pelos recursos narrativos utilizados, o que em documentários mais tradicionais pode ser considerado o uso de entrevistas, de narração ou de encenação, a ocultação da câmera e da equipe de filmagem, entre outros. O documentário animado, por sua vez, traz para o cinema documentário o uso de recursos narrativos que são próprios do cinema de animação, tais como a condensação do espaço e do tempo em um único plano, a metamorfose de uma imagem a outra através da deformação de desenhos ou objetos, a exploração de imagens simbólicas e metafóricas, a penetração no interior da mente ou de objetos etc. Consideramos, dessa forma, que um documentário que discorre sobre o mundo real através de animação difere-se daquele que faz uso exclusivo da imagem-câmera, apresentando recursos narrativos ainda pouco usuais no campo do cinema documentário. Além disso, o tipo de representação fornecido pelo documentário de animação é marcado pela técnica e estilo gráfico utilizados. Animações bidimensionais ou tridimensionais, realistas ou abstratas, feitas com desenho animado ou com stop motion, com rotoscopia ou com computação gráfica, entre outras opções, apresentam conteúdos simbólicos diferentes. O estilo gráfico do curta-metragem Silence (1998), de Sylvie Bringas e Orly Yadin, por exemplo, sofre alterações na representação de dois momentos na vida da personagem Tana Ross: o primeiro, vivido em um campo de concentração, é representado por desenhos em preto e branco e em estilo de xilogravura e, o segundo, na Suécia após sua libertação, é apresentado através de desenhos coloridos e aquarelados. Além disso, as passagens entre planos e sequências, nesse filme, dão-se através da metamorfose de desenhos carregados de simbolismo que estruturam a narrativa fílmica de maneira particular. Nossa proposta, portanto, é apresentar como recursos narrativos próprios do cinema de animação são utilizados para a construção de um discurso documentário e como o emprego de diferentes técnicas e materiais pode influenciar as produções de sentido em curso na compreensão de um documentário animado.
Bibliografia

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FURNISS, Maureen. Art in Motion: Animation Aesthetics. Bloomington: Indiana University Press, 1998.

HONESS ROE, Annabelle. “Absence, Excess and Epistemological Expansion: Towards a Framework for the Study of Animated Documentary”. In: Animation: An Interdisciplinary Journal 6 (3). 215 – 231, 2011. [acesso 20 fevereiro 2013]. Disponível em: .

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SERRA, Jennifer Jane. O documentário animado e a leitura ficcional da animação. Campinas: Departamento de Cinema; Universidade Estadual de Campinas, 2011. Dissertação de Mestrado em Multimeios.

WELLS, Paul. Understanding Animation, Londres: Routledge, 1998.