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  Título
Cinema e tango: práticas corporais no cinema argentino
Autor
Natacha Muriel Lopez Gallucci
Resumo Expandido
As manifestações do tango, advindas da cultura popular rio-platense, revelam, nas suas práticas corporais cotidianas e espetaculares, um rico e complexo ideário sensível, capital na história cinematográfica argentina. Nesta comunicação, pretende-se analisar o problema das práticas corporais do tango no cinema, entendido esse tópico como o problema formal da criação trazido por uma mise-en-scène, a da performance de tango dança, dentro do registro de outra mise-en-scène, nas produções do cinema argentino.

Focar-nos-emos para este fim em um corpus restrito e representativo de produções fílmicas argentinas dos períodos mudo (1900-1932) e clássico industrial (1933-1955). Seguindo as teses de Couselo (1969: 1977), España (2000), Getino (2005) e Fuster (2007) quando afirmam que o tango e o cinema partilham de uma fusão de origem, e que o cinema é o âmbito natural do tango, aspiramos objetivar o importante papel do cinema mudo na concretização do tango como aspecto chave da identidade cultural argentina. Buscamos também ressaltar os entraves sorteados na passagem para o sonoro trazendo certo declínio no ímpeto formal das práticas corporais do tango como produto imagético e popular por excelência. Em última instância mostrar como este último período registra o processo de consolidação e, rapidamente, a decantação e estilização exacerbada do gênero (salvo exceções), acorde à matriz simbólica imposta pelo tango internacional, impondo à indústria argentina a exteriorização e esvaziamento da dramaturgia do seu corpo performático até a chegada da modernidade e o cinema de autor.

A partir do reconhecimento de uma fusão de origem entre o cinema e o tango em argentina e à luz dos detalhados estudos históricos sobre a origem e desenvolvimento do tango de Lamas e Binda (2008), será possível visualizar a maneira em que a dança se colocou ao serviço de distintos fins em cada período histórico. Desde a construção de uma linguagem imagética própria no cinema mudo até a fusão de linguagens no período sonoro industrial, passando pela representação do exotismo para o olhar estrangeiro, o utilitarismo do espetáculo de baile na recriação de época, e a apresentação de personagens reais representativos dos valores artísticos populares e nacionais nos primeiros filmes de ficção histórica e documentários.

Os breves trechos de dança que compõem o corpus fílmico selecionado apresentam claramente um contraponto chave para a história das práticas corporais na argentina; entre as danças do modelo nomeado como drama social urbano e do modelo do drama social folclórico (LUSNICH, 2007; 2009). Tomaremos como corpus de análise 6 filmes que se conservam do período mudo Nobleza Gaucha, Gunche e De La Pera, 1915; Juan sin ropa, Benoit, 1919; La Mujer de Medianoche, Campogagliani, 1925; La vuelta al bulín, Ferreyra, 1926; Perdón Viejita, Ferreyra, 1927 e o musical Mosaico Criollo, Idibarren, 1929; e, do período clássico industrial, os filmes Tango!, Moglia Barth, 1933, Los Tres Berretines, Susini, 1933; El alma del bandoneon, Sofici, 1934; Los muchachos de antes no usaban gomina, Romero, 1937; Carnaval de Antaño, Romero, 1940, La cabalgata del circo, Soffici, 1945; Historia del 900, Del Carril,1949; Derecho viejo, Romero, 1951; Con la música em el alma, Bayón-Herrera, 1951. Destacando que, o período clássico industrial encerra com uma grande revisão histórica que por sua vez fará surgir, na argentina, o documentário de tango (tema este que excede nossa comunicação atual e será retomado futuramente). Ansiamos desvendar o papel do cinema argentino na história do olhar, considerando a imagem do corpo expressivo do tango essencial no processo de descolonização e materialização da identidade sensível latino americana e argentina.

Bibliografia

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