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  Título
Pólos de Produção Cinematográficos: As Experiências Brasileiras
Autor
André Ricardo Araujo Virgens
Resumo Expandido
Quando comparada com outras artes, e apesar de seu pouco tempo de surgimento e configuração enquanto tal, o cinema foi uma das primeiras expressões culturais a se enquadrar em padrões industriais de produção, e com sua posterior inserção na cadeia de produção e circulação de mercadorias. Sendo hegemonizada, atualmente, pelo modelo hollywoodiano, seja do ponto de vista do modo de produção, seja do ponto de vista da construção de linguagem e expressão, diversos países têm buscado, historicamente, assegurar uma posição privilegiada para suas cinematografias nacionais, tendo em vista a importância cada vez maior que o audiovisual possui na construção de valores e bens simbólicos e na geração de divisas comerciais. E no Brasil não foi diferente.



É um fato que o país nunca conseguiu construir uma indústria sólida, mas, historicamente, diversas experiências surgiram com essa finalidade. A primeira delas ainda no início do século XX, com a produção incentivada pelos donos de salas de exibição – e que originou a chamada Bela Época do cinema nacional. Posteriormente, com a criação de estúdios privados como Cinédia, a Atlântida e a Vera Cruz, entre os anos 30 e 50. Em seguida com a atuação direta do Estado através da criação da Embrafilme – Empresa Brasileira de Filmes. Ou mesmo mais recentemente, com o advento das leis de incentivo e com uma intersecção cada vez mais forte entre televisão e cinema.



Nesse contexto, um novo fenômeno tem sido percebido no país, com a criação de Pólos Cinematográficos, especialmente em cidades pequenas e médias. Nesse contexto, e tendo como marco inicial a criação do Pólo Rio de Cine&Vídeo no final dos anos 80, buscaremos discutir como a idéia de “pólo de produção cinematográfica” tem sido desenvolvida no país a partir de três casos: o já citado Rio de Janeiro; Sobradinho-DF e Paulínia-SP.



Apesar de existirem outros pólos de produção em desenvolvimento no país, optamos, inicialmente, por esses três por representarem as três mais antigas e/ou mais conhecidas experiências. Entretanto, vale ressaltar uma outra questão referente a essa escolha: também levamos em consideração a listagem daquelas cidades/ regiões em que percebemos que o desenvolvimento dessas experiências se dá a partir do desenvolvimento de políticas institucionalizadas dentro do campo cinematográfico.



Essa institucionalização se apresenta de duas formas: em primeiro lugar pela existência de uma estrutura organizacional que é responsável pela manutenção desse pólo local. E, e, segundo lugar, pela criação e vigência de marcos legais fundacionais e reguladores da sua dinâmica de funcionamento. Ou seja, nos interessa, aqui, entender como se dá esse fenômeno a partir do momento que a sua estruturação ganha corpo de política pública reconhecida e mediada por governos (municipais, estaduais e/ou municipais).



Essa opção denota, também, uma posição do autor sobre o que poderia ser entendido enquanto um “pólo de produção cinematográfico”. Consideramos que essa é uma reflexão importante, pois, nos últimos anos, tem sido cada vez mais comum surgirem notícias e relatos sobre a constituição de novos pólos de produção no país. Entretanto, para além da realização de ações pontuais, partimos de uma ideia, a priori, que a constituição de um pólo perpassa, necessariamente, pela conjunção de uma série de ações estratégicas e continuadas.



Assim, nos colocamos com o objetivo de discutir a idéia de pólo de produção cinematográfica, a partir da sistematização de experiências concretas que estão sendo adotadas no país.

Bibliografia

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GOMES, Paulo Emílio Salles. Cinema: Trajetória no Subdesenvolvimento. Rio de Janeiro: Paz e Terra/Embrafilmes, 1980.



MORAES, Julio Lucchesi. Cultura e Transformação Urbana: Avaliando o Caso de Paulínia. In: Informações FIPE, nº 377, fev 2012. Disponível em: . Acessado em 30 ago 2012.



ROSENFELD, Anatol. Cinema: Arte & Indústria. São Paulo: Editora Perspectiva, 2002.