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  Título
Encenações da memória e políticas do tempo.
Autor
Hernan Rodolfo Ulm
Resumo Expandido
A memória pode se fixar num espaço? Ou, pelo contrário, tem uma dinâmica que reelabora o sentido do passado pelas interrogações do presente? Estas questões definem "políticas do tempo" e também modos de encenação da memória a través do audiovisual bem diferenciados. Para responder estas questões se tomaram as obras de Albertina Carri e de Sebastián Schindel que trabalham a questão do passado político da década dos 70 na Argentina. Se no filme de Carri (Los rubios)o que se procura é dar sentido a acontecimentos que não podem se reduzir a uma política da verdade - na medida em que a autora não interroga "a verdade" dos fatos mas o sentido que tem hoje ser filha de desaparecidos-, por sua vez, na série documental de Schnidel (Espacios de memoria), tenta se dar conta da verdade do passado a partir das marcas presentes (embora ocultas) na cidade: a série mostra um mapa dos "centros clandestinos de detenção" que fazem parte da paisagem urbana e por meio de entrevistas a vizinhos, detentos e historiadores se interroga por aquilo que fez possível a existência desses centros emprazados nas centros urbanos. Se Carri faz uma encenação da memória que beira as fronteiras entre o documentário e o ficcional tentando dar conta desse modo de aquilo para o qual não tem imagens, Schindel procura estabelecer, a partir das imagens dos centros clandestinos e dos relatos dos entrevistados, a verdade de um passado que tem que ser mantido nesses agora chamados "espaços de memória". Entre ambas propostas abre-se a questão em torno à "política do tempo" e os modos de o audiovisual para dar conta da experiência do terrorismo de Estado: se para Carri o passado e o presente não cessam de se reconfigurar pelas perguntas que os (que nos) atravessam, para Schindel o passado é objeto de uma certeza que os próprios espaços testemunham e onde a memória fica fixada. Aliás, se apresenta entre ambas propostas as diferencias que afastam procedimentos cinematográficos (Carri), de procedimentos televisivos (Schindel): será que as materialidades de um e outro médio exigem por sua vez procedimentos estéticos e políticos diferenciados? Será que o cinema permite (já desde o próprio procedimento de montagem) o questionamento das próprias encenações, mantendo assim sempre em aberto o resultado do documentário, no entanto a televisão não consegue se tematizar a si mesma como objeto de reflexão audiovisual assumindo que a verdade do tempo coincide com a verdade das imagens? Se esse fosse o caso, será também que uma política do tempo na televisão está sempre assombrada pela tentação de fixar a verdade nos limites estreitos da tela, no entanto o cinema pode fazer do tempo um uso diferente desde que é capaz de extrair consequências inesperadas no meio dos intervalos que a montagem propõe? Será, em fim que o que confronta a estes procedimentos não são apenas as possibilidades estéticas de cada um mas também as políticas do tempo que as suportam?
Bibliografia

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