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  Título
Crítica, realização cinematográfica e pensamento de cinema em MGL
Autor
Jair Tadeu da Fonseca
Resumo Expandido
João Maurício Amarante Gomes Leite (1936-1993), jornalista e crítico mineiro, foi também cineasta, tradutor, e funcionário da Unesco. Em Belo Horizonte, participou ativamente do CEC (Centro de Estudos Cinematográficos) e da Revista de Cinema, na década de 1950 e no início da seguinte, junto a diversos outros intelectuais, artistas e cinéfilos; colaborou também com a revista Complemento, de literatura e cultura. No mesmo período, escreveu crítica de cinema para os jornais Estado de Minas e Diário da Tarde, entre outros órgãos de imprensa; na década de 1960, no Rio de Janeiro, foi crítico do Correio da Manhã e do Jornal do Brasil, além de ter colaborado com outros periódicos. Como cineasta, dirigiu e produziu o documentário de média-metragem O velho e o novo (1966), sobre o crítico literário Otto Maria Carpeaux, no contexto político-cultural brasileiro, e o longa-metragem de ficção A vida provisória (1968); escreveu o texto da locução de Cinema Novo (1967), documentário de Joaquim Pedro de Andrade; produziu o documentário Tostão, a fera de ouro (1970), de Ricardo Gomes Leite. Traduziu, com Angela Loureiro de Souza, o romance Sob o vulcão, de Malcolm Lowry, publicado em 1975, no Brasil. Em meados da década de 1970, Maurício Gomes Leite mudou-se para Paris, onde trabalhou na Unesco até seu falecimento, e de onde enviou artigos e ensaios sobre cinema para o Jornal do Brasil, o Estado de Minas e a revista Filme Cultura.

Quando da morte de Gomes Leite, em novembro de 1993, o crítico Sérgio Augusto escreveu que ele “foi um dos mais inteligentes, sensíveis e luminosos críticos de cinema que o Brasil já produziu”; e quanto aos seus textos, afirmou:

"Lidos (ou relidos) hoje, reforçam uma velha impressão: continuam sem rugas e exibindo um estilo e uma finura analítica há muito ausente do que amiúde se publica nos cadernos de cultura e amenidades de hoje. O Jornal do Brasil poderia tê-lo homenageado com uma pequena antologia, pois foi nas páginas do “Caderno B” que ele publicou algumas de suas críticas mais brilhantes, entre 1965 e 1970; mas não o fez. Se em toda a redação do JB houver três pessoas que ainda se lembram de Maurício é muito."



Entretanto, Gomes Leite foi lembrado, ainda em vida, por Glauber Rocha, entre outros artistas e intelectuais, que lhe conferiu, em 1980, um dos “verbetes” de sua Revolução do Cinema Novo. Em 2001, o crítico e cineasta mineiro foi relembrado em vários dos textos que compõem o livro Presença do CEC – 50 anos de cinema em Belo Horizonte; entre eles os de seus contemporâneos Silviano Santiago, José Haroldo Pereira e Cyro Siqueira; além disso, outros colaboradores do livro, mesmo os que não conheceram Gomes Leite pessoalmente, fazem referências importantes a ele. José Américo Ribeiro, em seu livro O cinema em Belo Horizonte – Do cineclubismo à produção cinematográfica na década de 60, publicado em 1997, embora não tenha a crítica como objeto central de estudo, apresenta trechos de textos escritos por Maurício Gomes Leite, seja para a imprensa, seja como depoimento epistolar, em que se tem uma excelente definição sobre o papel do cinema na vida dos jovens intelectuais e artistas mineiros, àquela época, e que são uma amostra de seu estilo. Para Gomes Leite, o Centro de Estudos Cinematográficos não era apenas um cineclube, mas manifestação de uma “vocação de pensar”, indo além do interesse pelo cinema, e também o CEC

"era uma agulha oscilante que provocava uma série infinita de intenções, da política à filosofia, da literatura às artes plásticas, e música também (...). Era um fenômeno – único no País – de aglutinação de personalidades diversas, de pequenas ambições culturais, de sonhos diurnos movidos por essa incrível mania mineira de analisar tudo, de assumir o cerco da montanha através de escavações até o fundo das coisas, de vencer uma natural timidez buscando diálogo com o outro, com todos."



Bibliografia

AUGUSTO, Sérgio. O exemplar crítico das Gerais. Folha de S. Paulo, 21 nov. de 1993. Ilustrada, p.13.



AUMONT, Jacques. As teorias dos cineastas. Campinas: Papirus,2004.



CAUGHIE, John (org.). Theories of Autorship. New York/London: Routledge/BFI, 1993.



BERNARDET, Jean-Claude. O autor no cinema – A política dos autores: França, Brasil, anos 50 e 60. São Paulo: Brasiliense/Edusp, 1994.



COUTINHO, Mário Alves, GOMES, Paulo Augusto (org.). Presença do CEC – 50 anos de cinema em Belo Horizonte. Belo Horizonte: Crisálida, 2001.



FOUCAULT, Michel. A arqueologia do saber. Trad. Luiz Baeta Neves. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2012.



MIRANDA, Luiz Felipe. Dicionário de cineastas brasileiros. São Paulo: Art/Secretaria de Estado da Cultura, 1990.



OLIVEIRA, Elysabeth Senra de. Uma geração cinematográfica: Intelectuais mineiros da década de 50. São Paulo: Annablume, 2003.



RIBEIRO, José Américo. O cinema em Belo Horizonte – Do cineclubismo à produção cinematográfica na década de 60. Bel