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  Título
TÁ NA CARA: A CONSTRUÇÃO DA REPRESENTAÇÃO IMAGÉTICA DO CORPO POBRE
Autor
Paula Paschoalick
Resumo Expandido
A vasta produção cinematográfica brasileira que orbita questões que envolvem as parcelas pobres marginalizadas da nossa sociedade nos faz refletir sobre a construção imagética que retroalimenta nosso repertório simbólico indicando o que é e como se parece a pessoa pobre.

Esse jogo de representações, que se baseia em repertórios pré estabelecidos, também participa da articulação de elementos do universo simbólico que realimentam de signos esse mesmo arcabouço de imagens e conceitos do que é ser pobre, num esquema cíclico.

É então interessante perceber que, a despeito das mudanças no padrão de consumo de artigos da moda, de procedimentos cosméticos e de bens duráveis pelas comunidades pobres nos últimos anos, ao menos para o cinema, a pobreza ainda “tá na cara”, a construção imagética dos personagens pobres inscrevem seus corpos no campo inequívoco da falta de recursos financeiros, nos fazendo identificar facilmente a pobreza marcada na representação desses corpos pobres.

É essa identificação social rápida e inequívoca que fazemos quotidianamente dos personagens que o audiovisual nos apresenta que despertou nosso interesse em sondar os elementos que constituem esse universo simbólico da imagem do pobre nas produções.

A análise não traz em si nenhuma grande novidade além do que já pressentimos nas imagens apresentadas diariamente pelos sistemas audiovisuais, mas sistematiza alguns elementos que podem levar a reflexões sobre o assunto.

A análise pretendida nessa pesquisa é a da imagem desses corpos construídos pelas produções cinematográficas, considerando o corpo como um texto discursivo que significa, conforme a perspectiva da Semiótica da Cultura, representada aqui pelos estudos de Yuri Lotman, que nos diz que podemos considerar o corpo como um texto cultural analisável, carregado de sentido em seus signos, “um texto de muitos subtextos” (1978).

Para pensar sobre essa determinação da imagem do corpo pobre vamos analisar duas obras que envolvem adolescentes em seus respectivos e antagônicos ambientes sociais: Deixa voar, de Cadu Barcellos (episódio de 5 vezes favela, agora por nós mesmo, 2010) e As melhores coisas do mundo, de Laís Bodansky (2010). Ambas produções abordam o universo adolescente e foram realizadas no mesmo ano de 2010, propiciando, assim, um termo comparativo rico para a análise pretendida.
Bibliografia

CAMPELO, Cleide Riva. Cal(e)idoscorpos: um estudo semiótico do corpo e seus códigos. São Paulo: Annablume, 1996.

CANDIDO, Antônio, Et Al. A personagem de ficção. Ed: Perspectiva, São Paulo, 1968.

CHARTIER, Roger. O mundo como representação. Estud. av., São Paulo, v. 5, n. 11, Apr. 1991 .

HAMBURGER, Esther. Violência e pobreza no cinema brasileiro recente: reflexões sobre a idéia de espetáculo. Novos estud. - CEBRAP,  São Paulo,  n. 78, July  2007 .

KHEL, Maria Rita. As máquinas falantes. In: NOVAES, Adauto (org.). O homem máquina: a ciência manipula o corpo. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.

LOTMAN, Yuri. A Estrutura do Texto Artístico. Estampa: Lisboa. 1978.