/ / / / / / / / / / / / / /      Anais Digitais      / / / / / / / / / / / / / /

  Voltar para a lista
 
  Título
As marcas televisivas na atual comédia cinematográfica brasileira
Autor
Miriam de Souza Rossini
Coautor
Fatimarlei Lunardelli
Resumo Expandido
A proposta desta apresentação é discutir o impacto da participação televisiva na atual produção cinematográfica brasileira, a partir da série Se eu fosse você 1 (2006) e 2 (2008), de Daniel Filho, que juntos somam quase dez milhões de espectadores. A discussão faz parte da pesquisa "Cinema Popular Contemporâneo: modelos estéticos e narrativos do cinema brasileiro", desenvolvida junto ao PPGCOM/UFRGS, e com financiamento do CNPq. Após duas pesquisas analisando os compartilhamentos de produção entre cinema e televisão, observou-se que há laços mais intrincados que não visam apenas a grade televisiva e nem projetos em comum entre os meios. Filmes mais recentes mostram como realizadores do meio televisivo e do cinematográfico têm se aproximado para produzir para o cinema, usando uma linguagem estética e narrativa que muitas vezes é identificada como televisiva. Dentro da dimensão mercadológica pós-retomada, verifica-se que especialmente o gênero da comédia vale-se de modelos estéticos e narrativos que dialogam com as tradições populares do cinema brasileiro, ao mesmo tempo em que se beneficiam da atualização de um gênero bem-sucedido feito pela televisão. Um dos períodos de maior sucesso de público do cinema nacional corresponde ao auge das comédias populares, produzidas entre os anos 40 e 50. Com o surgimento da televisão e a decadência daquele modelo produtivo cinematográfico, houve uma migração significativa de profissionais do meio cinematográfico para o televisivo. Um desses profissionais, que começou sua carreira nos anos 50, atuando em comédias, é Daniel Filho. Ele retorna ao mercado do cinema na última década para dirigir, produzir e atuar, trazendo uma experiência estética e narrativa consolidada na televisão, o que resulta em filmes de sucesso de bilheteria. Essas novas comédias resultam de uma combinação entre uma tradição cinematográfica que é recuperada e um padrão estético-narrativo decorrente dos avanços tecnológicos e produtivos da televisão.
Bibliografia

ALTMAN, Rick. Los géneros cinematográficos. Barcelona: Paidós, 2000.

AUGUSTO, Sérgio. Esse mundo é um pandeiro. São Paulo : Companhia das Letras, 1989.

BERTINI, Alfredo. A Economia da Cultura. A Indústria do Entretenimento e o Audiovisual no Brasil. São Paulo: Saraiva, 2008.

CALABRESE, Omar. A idade neobarroca. Lisboa: Edições 70, 1987.

ECO, Umberto. O super-homem de massa. São Paulo: Perspectiva, 1991.

LUNARDELLI, Fatimarlei. O Psit! O cinema popular dos Trapalhões. Porto Alegre: Artes & Ofício, 1996.

RIBEIRO, Ana Paula Goulart Ribeiro; SACRAMENTO, Igor; ROXO, Marco. História da televisão no Brasil. Do início aos dias de hoje. São Paulo; Contexto, 2010.

ROSSINI, Miriam de Souza. Diferentes concepções de popular no cinema brasileiro. In:AMANCIO, Tunico; HAMBURGER; Esther; MENDONÇA, Leandro; SOUZA, Gustavo. Estudos de Cinema Socine, Ano IX. Annablume: São Paulo, 2008, p. 359-366.