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  Título
Ecos do fim do mundo: narrativa e espaço no cinema paraibano
Autor
Ana Bárbara Ramos
Resumo Expandido
A produção de cinema paraibano de curta-metragem é reconhecida em diversos circuitos cinematográficos: festivais de cinema, críticos, blogs, universidades, entidades de cinema, etc. Atualmente esta produção prima pela renovação de linguagem, principalmente no campo da experimentação estética. Nem sempre foi assim. Durante muito tempo a cinematografia local gravitou em torno de um único tema: o Sertão. Com o passar do tempo os realizadores inseriram outros temas que se distanciavam dessa tradição. Assim, vimos brotar na filmografia local filmes com temática LGBT, filmes de vingança, filmes policiais, realismo fantástico, invasão de extraterrestres, fim do mundo, etc.



Analisando a produção mais recente, identificamos a existência de dois filmes que corroboram com uma nova visão do mundo histórico paraibano. Os filmes de curta-metragem Gravidade (2007), Torquato Joel e Púrpura (2012), Tavinho Teixeira se inscrevem na cinematografia paraibana como dois casos atípicos de narrativa cinematográfica.



Ambos os filmes chamam especial atenção pela escolha dos temas de suas histórias: o fim do mundo. A história do fim do mundo para os diretores paraibanos é contada fundamentalmente a partir da imagem, construindo assim uma versão bem particular do apocalipse. De um lado, Gravidade apresenta a Terra num estado terminal, onde o grande culpado pela destruição do planeta é o homem. De outro lado, Púrpura mostra um mundo, no qual a decomposição está presente nas pessoas e nos animais, confirmando a noção de que não é o mundo que se acaba, mas sim os seres presentes nele.



A estrutura narrativa dos filmes é semelhante, suas narrativas são contadas a partir do espaço em detrimento da ação dramática. Os dois filmes se desenvolvem “em um quadro espacial suscetível de acolher a ação vindoura"(GAUDREAULT e JOST). Assim, nosso interesse nesses dois filmes para a presente abordagem consiste em observar de que forma esses diretores utilizaram o espaço como elemento constituinte da ação narrativa e seus desdobramentos estéticos para a renovação da cinematografia paraibana.

Bibliografia

GAUDREAULT, André e JOST, François. A narrativa cinematográfica. Brasília, Editora Universidade de Brasilia, 2009



GOMES, Paulo Emílio Sales. “A Personagem Cinematográfica” in A Personagem de Ficção,SP, Perspectiva, 10 ed., 2002.



STAM, Robert. Introdução à teoria do cinema. Campinas: Papirus, 2006.



VANOYE, Francis e GOLIO-LÉTÉ, Anne. Ensaio sobre a análise fílmica. Campinas: Papirus, 2012.

Sites

http://www.usp.br/cinusp/mostra Apocaliscine: o Fim do Mundo no Cinema.