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  Título
Chris Marker: comentários sobre uma crítica da imagem
Autor
Luís Henrique Barbosa Leal Maranhão
Resumo Expandido
Chris Marker é um diretor francês com relevante contribuição artística, que pensou ao longo de sua obra a redefinição do campo cinematográfico e propôs uma reflexão profunda sobre o estatuto da imagem. Ele permanece, no entanto, desconhecido do grande público, inclusive em seu país. "O mais conhecido autor de filmes desconhecidos" é como o define um letreiro de Leila Attaks (2007). Parte significativa dos poucos textos escritos sobre Marker tratam de sua pouca afeição à exposição pública, da escassez de informações sobre sua vida, assim como da sua negação de falar sobre si próprio ou conceder entrevistas. Alguns outros elementos - revelados a partir de sua obra - como o fascínio por gatos e corujas ajudam a compor essa imagem nuançada a respeito de alguém que pretendeu estabelecer uma separação entre sua obra pública (e, por conseguinte, uma subjetividade pública manifesta a partir de sua filmografia) e sua vida privada. É especialmente conhecida a história de que, quando instado a entregar uma fotografia sua, Marker sempre entregava a foto de seu gato, Guillaume d'Egypte. No entanto, é possível ver o rosto de Chris Marker, pelo menos, em 4 diferentes situações em que ele controla a divulgação de sua própria imagem, como se optasse por fazer uso, em situações específicas, de algumas imagens suas.

A primeira imagem é uma fotografia que faz parte do catálogo de uma exposição fotográfica de Marker, em Paris, na década de 1980; a segunda é um plano curto de não mais que 2 segundos em seu filme Sans Soleil (1983), em meio a uma rápida montagem de planos do Centro de Tóquio; a terceira, é uma breve aparição de Marker para a câmera de Wim Wenders, em Tokyo Ga (1985). Há, ainda, uma imagem de Marker ensinando um dos seus entrevistados a filmar com uma pequena câmera filmadora digital, diante de um espelho, em Elegia a Alexandre (1993). Em todas elas, o diretor francês aparece filmando, apontando uma câmera para a imagem.

Considerando que, mais que uma simples recusa a ser fotografado/filmado, parece haver na atitude de Marker um gesto calculado de dotar a divulgação de sua imagem, de um caráter reflexivo sobre a força da imagem em si, uma lembrança que visa criticar a imagem e nos revelar sua potência, o presente trabalho pretende analisar as 4 imagens de Chris Marker espalhadas ao longo de sua obra, relacionando tal gesto com os conceitos de imagem dialética (Benjamin) e imagem crítica (Didi-Huberman) e, paralelamente, pensar uma aproximação entre as autorrepresentações de Chris Marker e alguns trechos dos filmes Sans Soleil (1983) e Level Five (1996), que tratam da relação dos filmados com a câmera.

Bibliografia

AGAMBEN, Giorgio. O que é o contemporâneo e outros ensaios. Chapecó: Argos, 2009.

BARTHES, Roland. A câmara clara. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984.

BENJAMIN, Walter. Obras Escolhidas 1 – Magia e técnica, arte e politica. São Paulo: Brasiliense, 1994.

_________________. Obras escolhidas 3 - Charles Baudelaire: um lírico no auge do capitalismo. São Paulo: Brasiliense, 1989.

_________________. Passagens. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2007.



DIDI-HUBERMAN, Georges. O que vemos, o que nos olha. São Paulo: Ed. 34, 1998.

________________________. Imagens apesar de tudo. Lisboa: KKYM, 2012.

SONTAG, Susan. Sobre a fotografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.