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  Título
Construção e abandono de uma política audiovisual regional: caso Bahia
Autor
Gabriel Amaral Pires
Resumo Expandido
Durante o primeiro governo de Jacques Wagner (PT), 2007-2010, a Bahia teve pela primeira vez uma secretaria de cultura dissociada de outras pastas da administração pública. Historicamente ligada a educação e ao turismo as expectativas de uma direção exclusivamente voltada a área foi bem recebida pelos diversos setores envolvidos. Para o audiovisual a aproximação entre a Diretoria de Audiovisual (DIMAS) e o Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (IRDEB) foi uma alvissareira esperança de, finalmente, haver um política própria e forte para o setor.

Desde 1995, com a criação da lei estadual de renúncia fiscal, a política cultural baiana foi muito ligada aos eventos mais midiáticos, o maior deles o carnaval, deixando que outras expressões artísticas escanteadas de um planejamento estratégico para os respectivos setores. Com três edições bienais no início do século XXI a Secretaria de Cultura investiu na produção de três longas metragens, alguns documentários em vídeo e poucos curtas. Esse investimento só foi realizado depois de uma pressão muito grande do setor, no filme de Edgar Navarro “Talento demais”, de 1995, relata como os cineastas começam a se articular e cobrar do setor público esse investimento, é possível perceber como todo o setor vive em constante tensão com o poder público estadual.

Por esse pouco diálogo com o setor, a clara preferência em investir em música e a utilização constante da renúncia fiscal, quando em 2007 toma posse Márcio Meirelles na Secretaria de Cultura, dessa vez desvinculada de outras pastas, falando em uma reorganização do setor cultural na Bahia as esperanças foram grandes. Mais ainda para o audiovisual quando a frente do IRDEB foi colocado o cineasta Pola Ribeiro. De imediato foi anunciada a criação de uma film commision e a articulação entra a DIMAS e o IRDEB também foi bem divulgada, inclusive em publicações da própria Secretaria de Cultura, “Além de suas competências relacionadas à radiodifusão e à formação do Sistema Estadual de Comunicação Pública, o Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia passou a compartilhar com a FUNCEB a implementação de políticas no segmento de audiovisual. Na área de cinema, a incorporação da Bahia Film Commission marcou uma nova etapa na alavancagem do estado como cenário de locações cinematográficas.” (SECULT, 2009).

Publicamente falava-se em compartilhamento da gestão do audiovisual entre o IRDEB e a DIMAS, mas o que realmente acaba importando para os realizadores é de onde e de que forma vai ser disponibilizado o dinheiro para que as produções aconteçam. Esse responsabilidade ficou concentrada no IRDEB com a criação de um setor de editais, que coordenava todos os editais relacionados ao setor audiovisual, dos editais de roteiro, com mais de vinte premiações em duas edições, ao edital de memória, área que não tem muita inter-relação com a atividade de uma televisão. Lógico que isso foi importante para o setor, os produtores que pensavam apenas em produzir para o cinema começaram a perceber que a produção televisiva podia ser para eles uma nova janela, dessa vez mais palpável. A, pioneira, assinatura de um Programa Especial de Fomento (PEF) entre a Ancine e o IRDEB demonstra o poder de articulação que, institucionalmente, o audiovisual da Bahia chegou.

Porém toda essa evolução que estava acontecendo no setor foi drasticamente abandonada com a reeleição de Wagner, com a criação da Secretaria de Comunicação o IRDEB migra mais uma vez de secretaria e todos os esforços que vinham sendo feito para gerir uma política audiovisual que incluísse televisão e cinema em uma mesmo guarda-chuva institucional se desfez. O grande problema para o audiovisual da Bahia é que toda a expertise da gestão estratégica do setor ficou no IRDEB, já que a participação da DIMAS foi quase nula. Ou seja, mais uma vez será preciso recomeçar e restabelecer a maneira com que os produtores irão se relacionar com o governo estadual.
Bibliografia

BAHIA. Secretaria de Cultura. CULTURA É O QUE?. Relatório de Gestão. 2009



INFOCULTURA Nº 5. Economia do audiovisual na Bahia e no Brasil: estudos e reflexões. Salvador: Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, n 5, nov. 2010



RAMOS, José Mário Ortis. Cinema Publicidade e Televisão. São Paulo: Ed. Annablume, 2 Edição 2004.



ROCHA, Renata. TVE: Matizes para uma nova cultura. Políticas culturais e televisão pública. Dissertação (Mestrado em Cultura e Sociedade), Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2010.



RUBIM, Antonio Albino Canelas. Políticas culturais do governo Lula/Gil: desafios e enfrentamentos. Revista Brasileira de Ciências da Comunicação, São Paulo, v 31, n 1, p 183- 203, jan,/jun. 2008.