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  Título
Um divisor de águas entre duas telenovelas: as narrativas transmídias
Autor
Vicente Gosciola
Resumo Expandido
A narrativa audiovisual está vigorosamente presente na sociedade. A página atual que apresenta os dados do YouTube (http://www.youtube.com/yt/press/statistics.html), o mais bem sucedido site de compartilhamento de vídeos, traz números impressionantes. Segundo as estatísticas, a audiência é de mais de 1 bilhão de usuários únicos ao mês. São vistos mais de 4 bilhões de horas de vídeo por mês. A cada minuto são enviados ao YouTube mais de 72 horas de vídeo. E 70% do tráfego do YouTube vem de fora os EUA, de um total de 53 países e 61 línguas. Só no ano de 2011, mais de 1 trilhão de vídeos foram assistidos, o que corresponderia a cerca de 140 visualizações por cada pessoa do planeta. Um dado muito revelador nesse sentido e nem tão recente -do final de 2010- é que, de todo o acesso à web no EUA, 51% era para ver vídeo. Mas o dado que faz o maior sentido para este nosso está em estudo publicado em março de 2013: mais de 5% já abandonou a TV, isto é, pessoas que assistiam com regularidade aos programas de TV pela TV não mais o fazem. Os “zero-TVs”, como são chamados pela empresa que realizou a pesquisa (http://www.tvb.org/media/file/Nielsen_Platform_Report_Q4-2012.pdf) não mais assistem à TV, mas continuam assistindo a vídeos.

É sabido que há uma ligação histórica entre a narrativa audiovisual e o cinema desde a sua origem. Já em sua primeira década de existência, o cinema alcançou os seus primeiros traços proprietários de estratégia de comunicação. A narrativa cinematográfica se consolidava na primeira metade da década de 1910. Seguiu evoluindo até ser considerado como o entretenimento das “grandes massas”. Essa situação favorável só foi perturbada com a popularização da TV, a partir da década de 1950. Principiou com o recurso das técnicas, das narrativas e das linguagens cinematográfica, teatral e radiofônica. Por algumas décadas, as estratégias narrativas do Cinema e da TV foram se firmando e se diferenciando. Contudo, as com as novas tecnologias digitais da década de 1990 e a popularização da banda larga pela web juntamente com a contínua convergência de mídias e de conteúdos da década de 2000, a linha limítrofe entre as duas formas expressivas foi novamente diluída. E foi nesses dois últimos períodos que se difundiu uma modalidade de contar histórias: a Narrativa Transmídia. É neste cenário que iremos observar certas apropriações dessa estratégia de comunicação. Interessam-nos as formas expressivas em audiovisual e sua aplicação à ficção televisual brasileira. Assim, iniciaremos por um levantamento e uma reflexão que deem conta da conceituação da narrativa transmídia que tem em sua composição fundamental a integração de meios de comunicação ou convergência de plataformas, como vem sendo chamada. Observamos como a narrativa transmídia vem sendo assumida pela indústria da telenovela nacional, especialmente como cada mídia é acionada para potencializar a expressividade particular a cada narrativa. Sendo assim, compõem nosso corpo de estudo duas telenovelas veiculadas recentemente -Avenida Brasil e Cheias de charme- que foram, cada uma a seu modo, alvo de investimentos em narrativa transmidiática. Exatamente por meio desse cotejamento, esperamos compreender com mais clareza as possibilidades e as limitações dos processos narrativos contemporâneos e futuros na TV.

Bibliografia

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The Nielsen Company. To Move Between Screens. New York: Nielsen Holdings N.V., 2013. Acesso em 20 de março de 2013 em http://www.tvb.org/media/file/Nielsen_Platform_Report_Q4-2012.pdf.

YOUTUBE. Estatística. Acesso em 20/2/2013, em http://www.youtube.com/t/press_statistics