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  Título
SINGULARIDADES DA FICÇÃO CIENTÍFICA NO CINEMA CONTEMPORÂNEO
Autor
Gelson Santana
Resumo Expandido
Partindo da película Prometheus (2012), de Ridley Scott, observa-se como o efeito “cientificidade” vem determinando o gênero ficção científica no contemporâneo. O filme Prometheus em sua forma narrativa pertence ainda a um antigo modelo no qual a construção dramática tem mais importância do que a mímesis científica. Neste sentido podemos dizer que o filme coloca em segundo plano o fato de ser uma história que se passa em uma temporalidade distinta, neste caso o futuro, e mergulha em seus efeitos nos elementos caracterizadores do drama. Mais do que a cientificidade, nele, o que importa são os personagens e seus fantasmas na medida em que eles desencadeiam a narrativa. Dessa forma é a circunstância particular de cada personagem que alimenta a forma como o filme se desenvolve e não a busca pelo "efeito científico". O efeito científico desencadeia ou justifica os personagens mas não determina a ação deles. Evidentemente podemos dizer que essa ação desenha-se de forma indireta, mas ela não é o caráter primordial da narrativa, embora estejam mantidos os elementos de configuração clássica do gênero, presença de paisagem de outro planeta, naves espaciais, procedimentos ligados a atos da ciência etc. Observamos que o “estranho”, uma das características da ficção científica clássica, está presente em Prometheus. Contudo o estranho só faz sentido do ponto de vista de uma fantasmática humana. Dizer que todo centro narrativo volta-se para as personagens, enquanto efeito de uma teatralidade, significa colocar em segundo plano o contexto científico e seus efeitos. Em outra vertente da ficção científica contemporânea, a teatralidade dramática que modela as personagens perde força para o efeito científico e acaba por deslocar o eixo narrativa do drama humano para um espaço narrativo que deixa em segundo plano o drama individual de cada personagem. O efeito deste deslocamento é um esvaziamento do gênero clássico. Para início de conversa nada parece estranho nas narrativas contemporâneas, tudo parece já ter sido explorado e portanto o pathos do estranhamento não faz mais sentido enquanto formula narrativa. No entanto, Ridley Scott ainda procura inscrever o estranho como traço característico da narrativa de ficção científica.

Bibliografia

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