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  Título
Os jogos do poder e da narrativa: House of cards e The wire
Autor
Leandro Rocha Saraiva
Resumo Expandido
Esta comunicação buscará reconstruir em detalhe as estruturas narrativas das duas séries em questão: House of cards (Netflix, 2012) e The Wire (HBO, 2003-2008), tendo como parâmetros de análise a) as curvas narrativas das temporadas e de cada episódio; b) a paresentação, caracterização e trajetória de cada personagem, c) seu papel no conjunto de conflitos narrados; d) as modulações de tom da narrativa e sua relação com os grandes gêneros (tragédia e melodrama, sobretudo).





The Wire apresenta uma evolução dramática lenta, conduzida dentro da trama pelos desdobramentos de uma investigação policial, que se inicia um pequeno cîrculo de traficantes de drogas, e progressivamente se expande para círculos muito mais amplos e poderosos. Esta condução lenta e expansiva pressiona os personagens, que nao apenas se revelam, de formas renovadas e surpreendentes, mas se transformam, conforntam-se com as engrenagens de poder e são por elas ameaçadas, como no modelo do realismo clássico, do romance do século XIX. Nao é gratuita a aproximação com Balzac e seu objetivo de representação do conjunto da sociedade francesa, no ciclo de romances que compõe a Comedia Humana.



Já House of cards concentra-se nas tramas palacianas, ou senatoriais, tendo como foco permanente, anunciado desde a primeira cena, a luta de Francis Underwood pelo poder – comentada, inclusive, por ele mesmo, em constantes apartes para a câmera. Este desenho geral tem evidentes ecos shakespearianos, com Underwood comportando-se, por vezes como Macbeth, outras como Iago, e sua esposa, Claire, tendo evidente inspiração em Lady Macbeh.



Seria The Wire um romance realista clássico e House of cards uma tragédia shakespeariana?



Para tentar responder à questão, buscaremos caracterizar as duas séries nos seguintes termos de composição estrutural: a) as curvas narrativas das temporadas e de cada episódio; b) a paresentação, caracterização e trajetória de cada personagem, c) seu papel no conjunto de conflitos narrados; d) as modulações de tom da narrativa e sua relação com os grandes gêneros (tragédia e melodrama, sobretudo).



Cotejaremos os resultados com características das referidas formas narrativas realistas – o romance de Balzac e a tragédia de Shakespeare – e tentaremos, por fim, chegar a uma interpretação da imagem de sociedade obtida em cada uma das séries.

Bibliografia



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SOUZA E SILVA, Regina Lúcia. "The west wing: análise dos recursos narrativos estéticos do episódio piloto." in BORGES, Gabriela et alli. Televisão: formas audiovisuais de ficção e documentário, SP, 2011.



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KOTT, Ian. Shakespeare, nosso contemporâneo. Cosac& Naify. SP, Ed. Cosac& Naify, 2003.



LUKÁCS, Georg. Ensaios sobre literatura. Rj, Ed. Civ. Brasileira, 1965.



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