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  Título
Woody Allen e o protestantismo: a sátira ao pastor Billy Graham
Autor
Edilson Baltazar Barreira Júnior
Resumo Expandido
Woody Allen, renomado cineasta americano que se aproxima dos 80 anos, tem marcado sua presença no cenário do cinema mundial, com uma regularidade impressionante, visto que, desde o final da década de 1960, vem dirigindo, pelo menos, um filme por ano.

Allen tem uma característica bastante peculiar, ou seja, a independência em relação a Hollywood, que decorre em grande parte devido aos temas polêmicos abordados em seus filmes, como amor, sexo, arte, morte, religião e sentido da vida.

O público mantém com Woody Allen uma relação paradoxal. Não há meio termo quando se trata de sua produção fílmica. Há pessoas que apreciam seus filmes, bem como existem aquelas que rejeitam o seu modo de fazer humor.

A religião é uma temática frequentemente discutida nos filmes de Woody Allen. Ele é um judeu que se diz agnóstico, que desde cedo, quando criança, teve que frequentar a escola rabínica, na qual estudava os preceitos da religião judaica. Assim, as temáticas judaicas aparecem recorrentemente em seus filmes. No entanto, as lentes da câmera de Allen e seus roteiros originais ou adaptados também revelam abordagens acerca do catolicismo romano, do protestantismo e das religiões orientais.

Quem assiste aos filmes de Allen pode perceber que as temáticas religiosas são fundamentalmente judaicas, porém há certa recorrência a alguns elementos do catolicismo. Quanto ao protestantismo o cineasta é quase silente, entretanto há algumas poucas referências aos programas dos tele-evangelistas em alguns filmes. Neste trabalho se tomará como recorte o fragmento, no qual Allen satiriza um dos tele-evangelistas norte-americanos – o Pastor Billy Graham. Desse modo indaga-se: como Woody Allen concebe, constrói ou desconstrói, cinematograficamente, a figura de Billy Graham no filme Dorminhoco (Sleeper, 1973)?

A escolha do referido filme justifica-se, pois objetivei eleger uma obra que tematizasse aquilo que identifiquei como problema central deste trabalho. Ao mesmo tempo, aceitei discutir a temática a partir do “convite” formulado por Hugo Assmann no texto "A igreja eletrônica e seu impacto na América Latina: convite a um estudo". O autor, no prólogo do livro escrito em 1986, provoca que “e agora, o convite a vocês! Que melhorem e completem este esboço. Que o transformem em estudo. Se lhes parece que vale a pena assumi-lo, em função da sua práxis”.

Passadas mais de duas décadas, a escassez apontada por Assmann (1986) se converteu em abundância, pois basta uma rápida pesquisa na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações do Ministério da Ciência e Tecnologia do Brasil, que serão encontrados mais de 1500 trabalhos pós-graduados defendidos nas universidades brasileiras sobre o assunto, tendo como verbete de busca “igreja eletrônica”. No entanto, A obra cinematográfica de Woody Allen ainda é pouco estudada pela academia brasileira.

É bem verdade que o fenômeno religioso brasileiro também mudou nessas quase três décadas, ensejando muitos trabalhos acadêmicos que tentam responder as questões advindas das reconfigurações do fenômeno religioso, incluindo sua midiatização, em especial, pela via televisiva e mais recentemente, pelas novas tecnologias de comunicação e informação.

Assim, nessa imensidão de teses acadêmicas, o que este pequeno trabalho pode contribuir com algo realmente significativo? A proposta pretende ser inovadora, pois procura valer-se da obra de um dos maiores diretores do cinema mundial, ao mesmo tempo, em que articula a relação com o fenômeno do tele-evangelismo norte-americano tendo como protagonista o pastor Billy Graham. Portanto é nessa relação que surge o desafio da investigação. Ressalto ainda, que a teoria fílmica elaborada em torno da obra do cineasta americano, em geral, tem sido apresentada mais em análises particulares de filmes, não privilegiando temáticas específicas, como a religiosa (fenômeno do tele-evangelismo), por exemplo, que possam de algum modo recortar toda a sua produção.

Bibliografia

ASSMANN, Hugo. A igreja eletrônica e seu impacto na América Latina. Petrópolis: Vozes, 1986.

BAILEY, Peter J. The Reluctant Film Art of Woody Allen. Lexington: University Press of Kentucky, 2001.

BARBOSA, Neusa. Woody Allen. São Paulo: Editora Papagaio, 2002.

BELLOTTI, Karina Kosicki. A batalha pelo ar: a construção do fundamentalismo cristão norte-americano e a reconstrução dos “valores familiares” pela mídia (1920-1970). Revista Eletrônica Mandrágora. São Bernardo do Campo, nº 14, 2008.

CAMPOS, Leonildo Silveira. Teatro, templo e Mercado: organização e marketing de um empreendimento neopentecostal. Petrópolis/São Paulo: Vozes, Simpósio e UMESP, 1997.

FONTE, Jorge. Woody Allen. Madrid: Ediciones Catedra, 1998.

GOMES, Pedro Gilberto et al. Processos midiáticos e construção de novas religiosidades. Cadernos IHU, São Leopoldo, v. 8, agosto, p. 1-26, 2004.

HIRSCH, Foster. Love, Sex, Death & The Meaning of Life – The films of Woody Allen. New York: Limelight Editions, 1991.