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  Título
Configurações do western: Assalto à 13ª DP e O Som ao Redor
Autor
Cyntia Gomes Calhado
Resumo Expandido
Quando o pioneiro filme de western foi lançado, O Grande Roubo do Trem (Edwin Porter, 1903), a expansão do Oeste americano já havia chegado ao fim. O cinema se apropria da mitologia literária e folclórica ligada a esse período histórico e dá continuidade à epopéia da formação dos Estados Unidos, que se vale do imaginário dos cavaleiros da Idade Média e das narrativas gregas. Por ser um gênero cinematográfico ligado à instauração da ordem social de base mitológica, o western influenciou filmografias nacionais ao redor do mundo que se dedicaram às ideologias de fundação, como é o caso dos longas de samurai no Japão e dos de cangaceiro no Brasil.



Apesar de sua grande popularidade e importância simbólica dentro e fora dos Estados Unidos, a produção de faroestes diminui consideravelmente a partir dos anos 1960 e começa a se questionar a eficácia da fórmula narrativa em dar conta da realidade contemporânea. O ocaso do western em certa medida se justifica pela migração de suas demandas simbólicas para outros gêneros. Desta forma, após esse período, os westerns lançados são considerados tardios ou crepusculares. Tendência que John Ford, o responsável por dar ao gênero sua forma clássica, contribui com O Homem que Matou o Facínora (1962), e cujos exemplos se encontram em Onde os Homens são Homens (Robert Altman, 1971), Os Imperdoáveis (Clint Eastwood, 1992), O Segredo de Brokeback Mountain (Ang Lee, 2005), Onde os Fracos Não Tem Vez (Joel e Ethan Coen, 2007), entre outros.



Outra via de apropriação dos motivos e aspectos formais do western se encontra em filmes de gênero híbrido que tematizam a institucionalização da lei, como é o caso do norte-americano Assalto à 13ª DP (John Carpenter, 1976) e do brasileiro O Som ao Redor (Kleber Mendonça Filho, 2012). Por meio de uma leitura genérica dessas duas produções, a partir da metodologia proposta por Rick Altman (2011), pretende-se analisar de que forma eles atualizam e ressignificam o western. Tendo em vista que uma das bases ideológicas do gênero é a reafirmação do pacto social versus estado de natureza, as produções alinhadas a essa vertente lidam com os processos civilizatórios, de formação da nação e da identidade nacional dos países de origem. A análise comparativa tem o objetivo de demonstrar que as diferenças históricas de institucionalização da lei nos Estados Unidos e no Brasil influem na configuração semântica do gênero apresentada pelos longas.
Bibliografia

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