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  Título
O Filme Bíblico: o passado contemporâneo
Autor
Luiz Vadico
Resumo Expandido
O tema da mesa é o Filme Bíblico. O objeto são as produções cinematográficas cujo assunto provenha da Bíblia. Uma parte importante destas produções também é conhecida pelo nome genérico de Épico Bíblico Hollywoodiano. Em outro momento estabelecemos o conceito de Campo do Filme Religioso, que abarca toda a produção de assunto religioso, negando a existência de um gênero único e observando a existência de várias possibilidades formais dentro do mesmo; estabelecemos também que o Campo do Filme Religioso se forma, se define, e se redefine continuamente a partir das relações de embate entre o Campo do Fílmico (produtoras, cineastas, indústria, etc) e o Campo do Religioso (Igrejas, instituições religiosas, seus representantes e fiéis).

Faremos um recorte nessa massa de produções em busca de compreender melhor o Filme Bíblico, que carece de uma definição clara e que, por vezes é visto como um paradigma dos filmes de assunto religioso. Nossos estudos nos levaram a verificar as suas linhas de força, quer seja na produção quer seja nos temas que originaram os filmes. E, por último, mas não menos relevante, pensaremos sobre os aspecto estéticos que os tornam tão atraentes para a crítica e para o público.

O Campo do Filme Religioso esquiva-se a qualquer definição mais precisa diante das formas nas quais ele se manifestou. O filme de assunto religioso que o compõe, ao mesmo tempo que é um produto reconhecível por seus produtores e espectadores, não possui contornos evidentes quanto à sua formatação, gênese, evolução, e estética. Aqui, no que tange aos Filmes bíblicos, se daremos continuidade ao esforço de elencar características comuns que o tornam reconhecível e desejável para os seus espectadores.

Marcado por grandes filmes, como Os Dez Mandamentos (DeMille, 1956), Ben-Hur (Wyler, 1959), Quo Vadis?(LeRoy, 1951), O Manto Sagrado (Koster, 1953), Sansão e Dalila (DeMille, 1949), Daví e Betsabá (King, 1951), O Grande Pescador (Borzage, 1959), A Maior História de Todos os Tempos (Stevens, 1965), o Filme Bíblico chama atenção para si e ao mesmo tempo para o meio que o produziu. Sob a égide da escala de grandeza e grandiloquência que apenas o studio system poderia sustentar, ele significou ao mesmo tempo o período de maior grandeza de Hollywood e o ponto de virada na sua produção cinematográfica. Seu período de maior fertilidade localiza-se entre os anos de 1950 e 1967, uma época na qual os estúdios americanos estiveram mergulhados numa situação econômica e política bastante delicada.

Após este período o Filme Bíblico foi considerado como um assunto cinematográfico que dificilmente voltaria a ser abordado. E durante as últimas três décadas o cinema de fato pouco voltou a tocá-lo. No entanto, contemporaneamente, precedidos por diversos filmes cujo assunto era a Antigüidade Clássica, os Filmes Bíblicos (antes relegados à produção televisiva) voltaram com força e exuberância para as telas. Justificando, não apenas o estudo dos primeiros, mas a percepção das possíveis transformações estéticas e narrativas observáveis nos novos filmes. Na mesa se pensará sobretudo nas estratégias formais que vieram a conformar a antiga e a nova produção.

Bibliografia

ALTMAN, Rick. Los Géneros Cinematográficos. Madrid: Ediciones Paidós, 2000.

BABINGTON, B.; EVANS, P. W. Biblical Epics. Sacred Narrative in the Hollywood Cinema. Manchester: Manchester University Press, 1993.

GRACE, Pamela. The Religious Film: the hagiopic. Malden: Wiley-Blackwell, 2009.

KINNARD, Roy; DAVIS, Tim. Divine Images: A History of Jesus on the Screen. New York: Citadel Press – Carol Pushing Group, 1992.

SOLOMON, Jon. The Ancient World in the Cinema. London; New Haven: Yale University Press, 2001.

VADICO, Luiz. “O Campo do Filme Religioso” In: Revista Olhar. Ano XII, n. 23, ago./dez. 2010, p. 175 a 198. Disponível em: http://issuu.com/revistaolhar/docs/olhar_23_site. Acessado em: 11/11/2012.