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  Título
Teatro de revista e Hollywood em “Augusto Annibal quer casar!" (1923)
Autor
Luciana Corrêa de Araújo
Resumo Expandido
Esta comunicação aborda a comédia “Augusto Annibal quer casar!” (Luiz de Barros, 1923). Embora não existam materiais fílmicos preservados, a pesquisa em periódicos e em outras fontes permite investigar de que maneira o filme articula a relação entre teatro popular, em especial o teatro de revista, e a produção hollywoodiana. A convergência dessas duas vertentes, fundamental no cinema brasileiro, irá se fortalecer a partir do cinema sonoro e se popularizar nos filmes musicais e nas chanchadas realizadas por produtoras como Cinédia, Atlântida e Herbert Richers, mas já está presente, e de forma marcante, no período silencioso.

Para analisar as conexões entre teatro de revista e produção hollywoodiana neste período, a produção de Luiz de Barros, notável em tantos sentidos, constitui objeto de estudo privilegiado. Nela, as experiências teatrais e cinematográficas se entrelaçam de maneira sistemática e vigorosa, observando-se desde o início vínculos estreitos com o teatro e relações com o modelo de cinema dominante e mais popular, o cinema norte-americano.

“Augusto Annibal quer casar!” vale-se tanto de artistas e situações de sucesso nos palcos quanto de atrações e estratégias características das comédias norte-americanas. Estrelado pelo cômico Augusto Annibal, que no ano anterior havia alcançado grande sucesso com a revista “Aguenta, Felipe!”, encenada no Teatro Carlos Gomes, o filme arregimenta outras atrações dos palcos, como o transformista Darwin e as “girls” da companhia francesa Ba-ta-clan, cujas primeiras excursões ao Brasil, em 1922 e 1923, haviam provocado furor pela beleza das coristas, que se apresentavam de pernas de fora – em contraste com as brasileiras que vestiam grossas meias cor da pele (VENEZIANO, 2010, p.30).

A relação com a comédia hollywoodiana é explorada já no material publicitário, que anuncia o lançamento como “o primeiro filme cômico brasileiro – Gênero ‘Sunshine’” (Correio da Manhã, 01 set 1923, p.14), remetendo às comédias curtas da linha Sunshine Comedy, lançadas pela Fox entre 1917 e 1925. As cenas ambientadas na praia, com moças em trajes de banho, tiram partido da popularidade das “bathing beauties”, atrações das comédias de Mack Sennett, como se pode observar em fotos de divulgação do filme.

A comunicação irá desenvolver essas relações estabelecidas em “Augusto Annibal quer casar!”, procurando ressaltar o papel central exercido pelo cineasta e homem de espetáculo Luiz de Barros na articulação entre teatro popular e cinema hollywoodiano, dentro da produção cinematográfica brasileira.

Bibliografia

ANTUNES, Delson. Fora do sério – Um panorama do teatro de revista no Brasil. Rio de Janeiro: Funarte, 2002.

BARROS, Luiz de. Minhas memórias de cineasta. Rio de Janeiro: Artenova, 1978.

HEFFNER, Hernani. “Barros, Luiz de”. In: RAMOS, Fernão e MIRANDA, Luiz Felipe (orgs.). Enciclopédia do cinema brasileiro. 3ed. São Paulo: Senac, 2012.

PAIVA, Salvyano Cavalcanti de. Viva o rebolado – Vida e morte do teatro de revista brasileiro. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1991.

VENEZIANO, Neyde. O teatro de revista no Brasil – Dramaturgia e convenções. Campinas: Pontes/Editora da Universidade Estadual de Campinas, 1991.

----. Não adianta chorar – Teatro de revista brasileiro... Oba!. Campinas: Editora da Unicamp, 1996.

----. As grandes vedetes do Brasil. São Paulo: Imprensa Oficial, 2010.