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  Título
Discursos acerca de vídeos verticais
Autor
Gabriel Menotti
Resumo Expandido
Vídeos verticais são imagens em movimento gravadas ou renderizadas no que é convencionalmente considerada uma orientação de “retrato”, onde a altura da composição é maior que sua largura. É um formato que tem se tornado cada vez mais comum por causa do uso de smartphones e tablets como câmeras de vídeo. Feitos para serem empunhados de pé, essas caméra-stylos contemporâneas promovem a gravação de imagens verticais. Uma série de vídeos verticais encontrados na Internet é publicada diretamente desses aparelhos, sem passar por nenhum outro tipo de alteração.



Não obstante, ainda que a produção de vídeos verticais se naturalize por conta da ergonomia dos dispositivos móveis, ela também enfrenta intensa oposição em fóruns e plataformas digitais. Atualmente, tão fácil quanto esbarrar com um vídeo vertical, é possível encontrar discursos comprometidos com a completa negação do formato. A imagem vertical em movimento não é simplesmente considerada “feia”, nos termos de uma má decisão estética, mas até mesmo “errada”, como o resultado de erros operacionais que não deveriam ser permitidos. Enquadrada como uma síndrome, não é apenas sua legitimidade artística que é posta em questão, mas também sua mera possibilidade.



Essa oposição pode ser mais bem compreendida se considerarmos como o formato rompe com paradigmas midiáticos que foram consolidados ao longo do século passado, de acordo com os quais o filme deveria se adequar a um quadro padrão horizontal. O vídeo vertical desconstrói a neutralidade dessa regra inaudita, nos levando a especular se ela realmente constitui um aspecto essencial dos meios audiovisuais. Nesse sentido, as redes de discurso antagonísticas que se estabelecem em torno do tópico operam no sentido de preservar uma tradição de imagem, ao invés de simplesmente depreciar suas configurações emergentes.



Para entender como as definições de especificidades são negociadas pelas estruturas do circuitos audiovisuais, essa apresentação busca traçar algumas instâncias sociotécnicas nas quais a legitimidade estética e mesmo a possibilidade de existência dos vídeos verticais são construídas ou suprimidas. Analisaremos como esse formato é ridicularizado em anúncios sarcásticos, promovido por manifestos, programado em aplicativos móveis e curado em festivais de arte.
Bibliografia

BELINA, Mirna. Kontraste Cahier no 3: Vertical Cinema. Amsterdam: Sonic Acts Press, 2013.



FLUSSER, Vilém. Filosofia da Caixa Preta: Ensaios para uma futura filosofia da fotografia. São Paulo: Hucitec, 1985.



KITTLER, Friedrich. Discourse Networks, 1800/1900. EUA: Stanford University, 1992.



KIRSCHENBAUM, Matthew. Mechanisms: New Media and the Forensic Imagination. EUA: MIT, 2012.