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  Título
Em nome do Pai: questões afetivas em Person
Autor
Francisco Alves dos Santos Junior
Resumo Expandido
“Considerado como excessivo na relação entre filme e espectador, dirigindo sentidos, fabricando interpretações” (LINS, 2008), a narração em off encontra-se presente em praticamente todos os documentários chamados de biográficos. Isso se deve à própria estrutura narrativa deste tipo de filme, que intencionalmente, busca dotar o espectador de informações sobre a vida e/o período biografado. Em Person, realizado por Marina Person sobre o seu pai, o também cineasta Luiz Sérgio Person, a narração é assumida pela própria diretora, que afastando-se das narrações clássicas ou da chamada “voz de Deus”, reconta a história de vida do seu pai e a sua relação com o cinema e o teatro, e ao mesmo tempo narra a sua saga pelos labirintos da memória. Contando com depoimentos de pessoas que conviveram com Person e de arquivos pessoais e fragmentos de filmes realizados pelo diretor, a narração em primeira pessoa conduzida por Marina Person dirige o espectador a compartilhar com ela a sua busca por um pai que ela pouco conheceu e que agora se materializa em uma tela de cinema. Elevado a um documentário-documento, Person instaura dois tipos particulares de enunciadores, definidos por Roger Odin como “eu lírico” e “eu histórico” (ODIN, 2000). O primeiro diz respeito a um tipo de enunciador que se centra na experiência subjetiva do sujeito e nos convida a construir uma leitura sobre o modo privado, já o segundo, tem como objetivo centrar-se na verdade do que é mostrado e dito, convidando o espectador a produzir uma leitura de modo documentarizante. Nessa segunda modalidade de leitura o leitor constrói um enunciador real, ou seja, um narrador real que descreve as histórias que se desenrolam no documentário, visando, assim, construir um engajamento afetivo “que conduz o espectador a vibrar no ritmo dos eventos narrados (processo de colocação em fases) e a aderir aos valores que a narrativa veicula” (ODIN, 2005). Person é atravessado por esses dois tipos de enunciadores, que em determinados momentos nos informa sobre a vida e a obra do cineasta Luiz Sérgio Person, e em outros momentos nos deixa a par da vida privada da família da diretora. De acordo com Mary Ann Doane (1991), a voz off é um tipo de “som” que convoca o espectador a participar da diegese, já que ela tem como objetivo conduzir o leitor para o interior da narrativa. Utilizando-se das duas instâncias enunciativas citadas anteriormente, a nossa proposta de comunicação tem como objetivo investigar o papel da narração em off no engajamento afetivo do espectador no documentário Person, de Marina Person.
Bibliografia

BALTAR, Mariana. Engajamento afetivo e as performances da memória em Um Passaporte Húngaro. In: Revista ECO-PÓS / UFRJ - Pós-Graduação em Comunicação e Cultura da Escola de Comunicação, Vol.10, n.2 (2007). Rio de Janeiro: ECO/UFRJ 2007. P. 95-112.

DOANE, Mary Ann. A voz no cinema: a articulação de corpo e espaço. In: XAVIER, Ismail (org.). A experiência do cinema. Rio de Janeiro: Graal, 1991.

GAUDREAULT, André; JOST, François. A narrativa cinematográfica. Brasília. Editora UnB, 2009

LINS, Consuelo. O ensaio no documentário e a questão da narração em off. In: Ades, E.; Bragança, G; Cardoso, J; Bouillet, R.. (Org.). O Som no cinema. Rio de Janeiro: Tela Brasilis/Caixa Cultural, 2008, v., p. 131-144.

ODIN, Roger. De la fictíon. Bruxelles: De Boek Université, 2000.

__________. A questão do público: uma abordagem semiopragmática. In: RAMOS, Fernão (Org.). Teoria contemporânea do cinema. VII. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2005