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  Título
"Saiba gostar de cinema lendo A Tôrre de Marfim".
Autor
Alessandra Souza Melett Brum
Resumo Expandido
A Igreja Católica, desde as primeiras exibições do cinematográfo, não se mostrou indiferente a essa nova atividade social e cultural. Dado o crescente interesse da população em geral pelo cinema, a Igreja tomará uma série de medidas no sentido de orientar seus fiéis frente às mensagens que as obras cinematográficas transmitiam. Dentre elas, destacamos a criação em 1928 do O.C.I.C - Office Catholique Internationale Du Cinéma, que tinha como objetivo ser um centro de estudos da linguagem cinematográfica, seguido pela criação, nos Estados Unidos, da Legion of Decency (Legião da Decência), bem como as Encíclicas Papais Vigilanti Cura em 1936 e Miranda Prorsus em 1957 que tratava da cotação moral dos filmes.

A Igreja Católica no Brasil, seguindo a orientação geral dos documentos pontífices, incentivou e patrocinou a formação de cineclubes católicos, bem como a criação de revistas, e de um corpo crítico atuante. É nessa direção que surge em setembro de 1951 , na cidade de Juiz de Fora, a revista de orientação cinematográfica, A Tôrre de Marfim, desenvolvida no interior do Colégio Academia do Comércio, uma das mais importantes instituições de ensino da cidade, que era administrado e mantido pela Igreja Católica.

A revista tinha por objetivo atingir o público jovem juizforano e de toda a zona da mata, uma vez que sua circulação não ficou restrita a cidade de Juiz de Fora. A Tôrre de Marfim esteve presente por duas décadas na vida da cidade, o que demonstra a sua importância.

A Tôrre de Marfim seguia um modelo internacional voltado aos valores éticos e morais da conduta cristã para a orientação quanto aos filmes exibidos comercialmente. Em todos os números publicados era reproduzida a tabela, respeitando assim as seguintes classificações: filme destinados a TODOS; para ADOLESCENTES; para ADULTOS; para ADULTOS COM RESERVA; PREJUDICIAL; CONDENADO ou (?) ou CENSURA OFICIAL. Para essa análise privilegiaremos os filmes cotados como prejudicial ou condenado, na tentativa de compreender as razões para tal cotação, no período que se estende entre 1960 e 1964.



Bibliografia

Essa comunicação está apoiada em fontes primárias e secundárias.



MUSSE, Christina Ferraz. Imprensa, Cultura e Imáginário Urbano. Exercício de memória sobre os anos 60/70 em Juiz de Fora. São Paulo: Nankin; Juiz de Fora: Funalfa, 2008.

RIBEIRO, José Américo. O cinema em Belo Horizonte. Do cineclubismo à produção cinematográfica na década de 60. Belo Horizonte: Editora UFMG, 1997.

CHAVES, Geovano Moreira. A tela imoral; aspectos do projeto da Igreja Católica para o cinema via encíclicas papais Vigilant Cura (1936) e Miranda Prorsus (1957). São Paulo: Anais do XXVI ANPUH, julho de 1011.

Papa Pio XI. Apostolado Veritatis Splendor. Vigilanti Cura. Disponível em www.vatican.va/holy_father/pius_xi/encyclicals/documents/hf_p-xi_enc_29061936_vigilanti-cura_po.html.

Papa Pio XII. Apostolado Veritatis Splendor. Miranda Prorsus. Disponível em www.vatican.va/holy_father/pius_xii/encyclicals/documents/hf_p-xii_enc_08091957_miranda-prorsus_po.html.