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  Título
Aão, câmera, Luz: experiência de cinema e educação.
Autor
César Donizetti Pereira Leite
Resumo Expandido
O presente trabalho objetiva discutir relações entre cinema e educacão a partir do que temos chamado de produções de imagens por crianças no espaço escolar. Pensar as fronteiras entre estes dois espaços e suas possibilidades de encontros tem permito que nos enveredemos para uma série de reflexões em torno de vários aspectos nestas duas áreas do conhecimento, resumiremos aqui estas inquietações com uma pergunta: O que pode o cinema na educação?

Estas reflexões partem de algumas experiência que temos tido em torno de alguns projetos de pesquisa que desenvolvemos (apoio CNPQ/CAPES e FAPESP) com foco nestas temáticas. Estes projetos possuem como propósito produzir uma experiência de pensamento na escola a partir do cinema e de suas relações com a infância, produção de imagens e produção de subjetividade. O percurso que traçamos na escolar consiste em oferecer filmadoras, máquinas fotográfica digitais e Ipads as crianças, que, sem roteiro prévio, ocupam o espaço escolar e produzem imagens em torno e a partir deles. Tomando como ponto de partida as imagens produzidas pelas criancas elas nos oferecem um mundo de imagens povoadas de sensações vertiginosas, de visibilidades antes improváveis, de um tempo outro que rompe com a cronologia das narrativas tradicionais, as imagens produzidas pelas crianças nos oferecem uma experiência de pensamento com o cinema, nos permitem uma experiência com o cinema.

Estas imagens permitem que algumas iniciativas possam emergir e que narrativas fílmicas possam tomar forma, estas ocorrem tendo como ponto de partida não uma ideia, um roteiro, mas sim a ação, a experiência das crianças com as câmeras, invertendo assim uma lógica e colocando no início aquilo que aparece no final, desta forma, os encontros entre cinema e educação nos permite pensar a partir do que temos chamado de Ação, Câmera, Luz – experiência de infâncias e cinema na escola.

Nosso trabalho toma como ponto de partida algumas noções de experiência, de experimentação, o princípio do cut–up e a perspectiva de pensar a infância como espaço de estranhamento, de travessia, para isso nos pautamos em ideias de alguns autores que colaboram para o movimento de pensar a educação com o cinema. As reflexões se ancoram em autores como Giorgio Agamben, Michel Foucault, Walter Benjamin, Gilles Deleuze, Jan Masschelein, entre outros.

Bibliografia

AGAMBEN, Giorgio (2005) Infância e História: destruição da experiência e origem da história. Editora UFMG. Belo Horizonte MG.

AGAMBEN, Giorgio (2010) Ninfas. Editora Pre-Textos, Valência, Espanha.

BARROS, Manoel. Poesia Completa. São Paulo, SP, Leya Editora, (2010).

BENJAMIN, Walter (1984). Reflexões: a criança, o brinquedo, a educação. São Paulo: Summus.

BENJAMIN, Walter (1987). Obras escolhidas I: magia e técnica, arte e política. São Paulo: Brasiliense.

DELEUZE, Gilles A Imagem Tempo – Cinema 2. 2009. Editora Brasiliense. São Paulo SP.

FOUCAULT, Michel (2009) Microfísica do Poder Editora Graal. São Paulo SP.

LEITE, César D.P. Infância, Experiência e Tempo. São Paulo. Editora Cultura Acadêmica - UNESP. 2011.

RANCIÈRE, Jacques. O Mestre Ignorante. Belo Horizonte, MG: Autêntica, (2004).

RANCIÈRE, Jacques, O espectador Emancipado. São Paulo, SP, Editora Martins Fontes, (2012).