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  Título
Cinema e Pintura: espaço abstrato em Mark Rothko e Gus Van Sant
Autor
Isadora Meneses Rodrigues
Resumo Expandido
O pintor norte-americano Mark Rothko (2007) dizia que as cores nos seus quadros expressavam emoções humanas básicas como tragédia, êxtase e medo. Para ele, a pintura não apresentava uma narrativa ou uma história, mas uma ideia. A contemplação dos seus quadros, segundo o próprio pintor, geraria um perder-se entre as cores, despertando a ideia que a imagem provoca.



O critico de arte Karl Ruhberg (2012), no seu estudo sobre a pintura do século XX, afirma que o sentido espacial das cores em Rothko tem origem na experiência real, mais especificamente nas andanças do pintor pelos desertos do Orégão nos Estados Unidos, onde Rothko se confrontou com “um espaço aparentemente interminável que lhe deu a impressão de que seu próprio eu desaparecera” (RUHBERG, 2012, p.290). É em uma paisagem desértica, também aparentemente interminável, que se passa o filme Gerry, do diretor norte-americano Gus Van Sant. O presente trabalho tem como objetivo a analise comparativa do filme Gerry, mais especificamente a sequência do deserto branco, e dos quadros de campos flutuantes de cor de Mark Rothko. Apesar de esses espaços flutuantes caracterizarem boa parte das pinturas de Rothko a partir de 1947, tomaremos como exemplo, por uma questão metodológica, a obra Orange and Yellow, 1956.



As obras foram escolhidas pensando nesse espaço flutuante e nos campos de cores, conceito criado pelo crítico de arte norte-americano Clement Greenberg (1996). O nosso pressuposto é de que a ideia de espaço flutuante aparece também em Gerry, de forma mais intensa na sequência do deserto branco, a penúltima do filme, em que temos uma paisagem desértica, quase abstrata, de iluminação branca, em que a linha do horizonte flutua no meio do quadro. Esse espaço flutuante parece gerar um momento de abstração máxima da paisagem do filme, gerando um esvaziamento da narrativa cinematográfica.



Não falamos aqui de retomada de representação ou citação direta das pinturas de Rothko pelo cinema de Van Sant. Tentamos pensar a aproximação entre pintura e cinema pela apropriação e a renovação de problemáticas pictóricas na perspectiva apontada por Jacques Aumont em O Olho Interminável (2007). Trata-se de uma reflexão sobre a abstração do espaço e as consequências geradas na narrativa fílmica e no motivo pictórico.



Utilizaremos, para a nossa análise, o estudo do espaço moderno e o conceito de espaço em obra de Alberto Tassinari (2001), a pesquisa sobre arte minimalista e a ideia de crença e tautologia em Georges Didi-Huberman(2010) e o já citado conceito de campo de cor de Clemente Greenberg (1996) .

Bibliografia

AUMONT, Jacques. O olho interminável – cinema e pintura. São Paulo: Cosac & Naify, 2004

COTRIM, Cecília e FERREIRA, Glória. Clement Greenberg e o debate crítico. Rio de janeiro, Zahar, 2001

DIDI-HUBERMAN, G. O que vemos, o que nos olha. São Paulo: Editora 34, 2010

GREENBERG, C. Arte e cultura: ensaios críticos. São Paulo: Ática, 1996

GOODING, Mel. Arte abstrata. São Paulo: Cosac Naify, 2002.

Rothko, M. A realidade do artista. trad. Fernanda Mira Barros. Lisboa: Cotovia, 2007.

Ruhrberg, Karl; S. M., Fricke; C. Honnef, K. Arte do Século XX. Taschen, 2012.

TASSINARI, Alberto. O espaço moderno. São Paulo: Cosac Naify, 2001.