/ / / / / / / / / / / / / /      Anais Digitais      / / / / / / / / / / / / / /

  Voltar para a lista
 
  Título
Os universos ficcionais transmídias e a cultura participativa
Autor
Gabriela Borges
Resumo Expandido
Este trabalho reflete sobre as novas relações de produção e consumo das narrativas ficcionais que impulsionam o fenômeno da Social TV. Após diversos autores terem clamado pelo fim da TV (Machado, 2011), a social TV resgata a appointment television, uma das principais características da televisão, e reconfigura a criação de laços sociais (Wolton, 1994), agora interconectados na rede.

Com base a reflexão sobre a cultura da convergência, que prima pelas relações sociais estabelecidas em rede e é sustentada pela economia afetiva, nas palavras de Jenkins (2008), este artigo tem o intuito de problematizar, a partir das novas interações que ocorrem na chamada Social TV, as diferentes atuações presentes na cultura participativa e a criação das narrativas ficcionais transmídias, extrapolando este conceito para o que Fechine (2011) denomina transmidiação.

Tendo em conta que a reflexão proposta por Jenkins se atém bastante à realidade estadunidense e de que estas mudanças estão ocorrendo efetivamente na produção ficcional do mercado audiovisual internacionalizado, Fechine (2011) propõe uma forma de pensar sobre estas transformações através do conceito de transmidiação enquanto uma das lógicas de produção e consumo de conteúdos no cenário de convergência. No sentido de tentar diferenciar o fenômeno das narrativas transmídias que surgem com a convergência das mídias e conceituar de modo mais abrangente as características desta nova lógica de produção e consumo, a autora propõe a seguinte definição:



“transmidiação é toda produção de sentido fundada na reiteração, propagação e distribuição em distintas plataformas tecnológicas (TV, cinema, internet, celular etc.) de conteúdos associados cuja articulação está ancorada na cultura participativa estimulada pelos meios digitais” (Fechine, 2011, p. 27).



Com isso, a autora procura pensar nos universos transmídias como ambientes ficcionais em que plataformas distintas são utilizadas para expandir não apenas a narrativa, mas a experiência que o consumidor pode ter com cada um dos meios. Para isso, propõe categorizar esta experiência em dois tipos de estratégias transmídias: de propagação e de expansão (Fechine, 2013, p. 33-4). As estratégias de propagação estão relacionadas com a ressonância e a retroalimentação dos conteúdos, subdividindo-se em conteúdos reformatados (antecipação, recuperação e remixagem) e informativos (contextuais e promocionais). As estratégias de expansão estão relacionadas com os procedimentos que complementam ou desdobram o universo narrativo para além da televisão e são subdivididas em conteúdos de extensão textual (narrativas e diegéticas) e lúdica (vivenciais e de marca).

Neste sentido, procuraremos refletir sobre as características da social TV a partir da discussão sobre os universos transmídias como ambientes ficcionais que estão a ser construídos de modo diferenciado para explorarem as potencialidades da cultura da convergência.



Bibliografia

FECHINE, Y.; FIGUEROA, A.; CIRNE, L.. Transmidiação: explorações conceituais a partir da telenovela brasileira. In: LOPES, Immacolata Vassalo (org.). Ficção televisiva transmidiática no Brasil: plataformas, convergência, comunidades virtuais. Porto Alegre: Sulina, 2011.

___ et all. Como pensar os conteúdos transmídias na teledramaturgia brasileira? Uma proposta de abordagem a partir das telenovelas da Globo. In: Lopes, M. I. V. (org.). Estratégias de transmidiação na ficção televisiva brasileira. Porto Alegre: Sulina, 2013.

JENKINS, H.. Cultura da convergência. S. P.: Aleph, 2008.

MACHADO, A.. Fim da televisão? In: Revista Famecos: mídia, cultura e tecnologia, Vol. 18, No 1 (2011).

PROULX, M.; SHEPATIN S.. Social TV. How marketers can reach and engage audiences by connecting television to the web, social media, and mobile, New Jersey: John Wiley & Sons Inc, 2012.

WOLTON, D.. Televisão. Elogio do grande público. Uma teoria crítica da televisão. S. P.: Ática, 1996.