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  Título
Convergências e franquias nas animações brasileiras
Autor
Zuleika de Paula Bueno
Resumo Expandido
As animações dirigidas ao público infantil são um dos grandes trunfos comerciais das indústrias criativas. Embora produzidas por diversos países, estúdios e companhias, é inegável que as animações realizadas pelas grandes corporações mundiais do entretenimento dominam esse mercado (MARTEL, 2012). E o modelo de franquias (media franchising) é a principal forma de organização que estrutura essa produção.

A lógica do franchising está presente no controle da propriedade intelectual dos conteúdos compartilhado por diversas empresas e produtos, no uso participativo dos suportes tecnológicos e no foco nos nichos de consumo (JENKINS, 2012). Ela pressupõe ainda um vasto mercado de licenciamento e serialização no qual o produto audiovisual é apenas um dentre vários que consolidam e sustentam uma marca. Embora as noções de padronização e sinergia estejam no cerne desse modelo produtivo, as franquias não são unicamente modelos de reprodução e colaboração. Os processos específicos de formação, construção e manutenção das marcas, as relações sociais envolvidas na criação dos conteúdos e na comercialização dos produtos, a singularidade dos consumidores, isso tudo torna a franquia não apenas um modelo de organização industrial mas um conceito para se pensar a produção midiática global e contemporânea. Afinal, como afirma Derek Johnson, as franquias não se auto replicam, elas são produzidas em contextos de negociação social e cultural que demandam investigação (JOHNSON, 2013).

Esse é o pressuposto teórico e metodológico adotado na pesquisa que embasa a comunicação proposta para discussão nesse seminário temático. Três animações brasileiras, ou melhor dizendo, três franquias direcionadas ao consumo do público infantil serão abordadas nesse trabalho: Peixonauta, Galinha Pintadinha e Turma da Mônica.

Atreladas à programação televisiva direcionada às crianças nos canais pagos e ao mercado do homevideo, tais franquias adotam estratégias muito semelhantes no que se refere à inserção num amplo mercado de produtos licenciados e na diversificação das formas de espetáculo, investindo crescentemente no mercado de shows ao vivo, em exposições dos personagens em pontos de vendas e em produções para exibição nos cinemas. Contudo, as três marcas divergem na trajetória de criação e consolidação de seus produtos. Tais divergências serão especialmente discutidas nessa comunicação. Além disso, essa comunicação pretende investigar as condições de produção dessas franquias no contexto brasileiro, considerando os fatores que levam ao seu surgimento e crescimento na última década. Finalmente, as formas narrativas e as matrizes culturais mobilizadas na criação dessas franquias serão discutidas e problematizadas.



Bibliografia

JENKINS, Henry. Cultura da convergência. São Paulo: Aleph, 2012.

JOHNSON, Derek. Media franchising. New York University Press, 2013.

MARTEL, Fréderick. Mainstream. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2012.

STAIGER, Janet; HAKE, Sabine (editors). Convergence, media, history. New York: Routledge, 2009.

WASKO, Janet. Understand Disney. Cambridge: Blackwell Publishing, 2001.

THOMPSON, Kristin. Frodo Franchise. California University Press, 2008.