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  Título
David E. Neves e o curta-metragem no cinema novo
Autor
Rosana Elisa Catelli
Resumo Expandido
David Eulálio Neves (1938 – 1994) foi diretor, fotógrafo, produtor e roteirista de filmes brasileiros, entre as décadas de 1960 e 1990. Foi importante para a constituição do grupo do cinema novo, tecendo as relações afetivas e profissionais entre os participantes.



Começou no cinema, primeiro como crítico do jornal O Metropolitano, da União Metropolitana dos Estudantes, a partir de 1959, no Rio de Janeiro. Na sua crítica o nome de Paulo Emílio Salles Gomes está frequentemente presente, a quem se referiu numa entrevista como seu guru eterno.



Arnaldo Carrilho, amigo íntimo de David Neves, lhe atribui um papel de proeminência como representante internacional do cinema brasileiro na década de 1960. É principalmente essa sua atuação como difusor do cinema brasileiro no exterior, em eventos e festivais internacionais, que nos interessa resgatar na trajetória de David Neves. Foi nesses eventos internacionais que se estruturou e se legitimou o Cinema Novo brasileiro. David Neves era considerado um dos principais organizadores dessas participações dos filmes brasileiros nesses encontros que aconteciam em países como Itália e França.



Também nos interessa refletir a respeito da relação de David Neves com o cinema documentário da década de 1960, dos quais participou como produtor, fotógrafo, assistente de câmera. Participou de filmes como "Couro de Gato" (1962) e "Garrincha, alegria do povo" (1963), de Joaquim Pedro de Andrade; "Maioria Absoluta"(1964), de Leon Hirzman e "Integração Racial"(1964), de Paulo Cesar Saraceni. Sua primeira participação como diretor, foi no curta metragem, "Mauro, Humberto", de 1968. Nesse mesmo ano dirigiu ainda "Colagem", "Jaguar" e "Vinícius de Moraes", todos curtas- metragens. Na década de 1970, continuou a fazer documentários, quando criou a Sabiá Filmes e realizou vários filmes sobre literatura, junto com o escritor Fernando Sabino.



David Neves considerava que o cinema novo havia se implantado através dos filmes de curta- metragem. Segundo ele, esses filmes tinham grande importância no cenário internacional, pois passaram a representar o Brasil em termos culturais. Pretendemos abordar a relação de David Neves com o cinema documentário das décadas de 1960 e 1970, em todas as formas como ele atuou nesse cenário.



Esse trabalho sobre David Neves se insere numa pesquisa mais ampla, realizada a respeito da atuação de órgãos internacionais como a UNESCO e, no Brasil, o Ministério das Relações Exteriores, o Itamaraty, no fomento ao cinema documentário. No decorrer dessa pesquisa percebemos a importância de David Neves nesse cenário, não só como cineasta e crítico de cinema, mas também como difusor dos filmes brasileiros no exterior.

Bibliografia



CARRILHO, Arnaldo. Morreu o Cinema Novo. Rio de Janeiro: Jornal do Brasil, 25/11/1994.

PINTO, Pedro Plaza. Paulo Emílio e a emergência do Cinema Novo: débito, prudência e desajuste no diálogo com Glauber Rocha e David Neves. São Paulo: tese de doutorado, ECA – USP, 2008.

NEVES, David E. Telégrafo visual: crítica amável de cinema. São Paulo: Editora 34, 2004.

PESSOA, Ana. David Neves – muito prazer: catálogo de mostra de filmes. Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil, 2004.

RAMOS, Fernão Pessoa e MIRANDA, Luiz Felipe. Enciclopédia do Cinema Brasileiro. São Paulo: SENAC, 2000.