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  Título
Eram 'Coisas Nossas' mesmo?
Autor
Suzana Reck Miranda
Resumo Expandido
Esta apresentação destacará particularidades históricas e estilísticas que cercam o filme Coisas Nossas (Wallace Downey, 1931), apontado como o primeiro longa-metragem musical brasileiro “inteiramente sincronizado” com o uso do sistema Vitaphone. Seus originais e cópias foram considerados perdidos e, similarmente a inúmeros filmes brasileiros extraviados, só é possível obter dados sobre tal produção a partir de relatos encontrados nos jornais e revistas da época, bem como na bibliografia existente sobre o desenvolvimento do cinema sonoro e da indústria fonográfica no Brasil. Graças à descoberta, em 1995, de exemplares de boa parte dos discos de sua trilha sonora (no acervo do Museu de Comunicação Social Hipólito José da Costa, em Porto Alegre, RS), é possível, desde então, especular sobre o filme também a partir de sua porção sonora.



Interessa-nos, sobretudo, o repertório musical de Coisas Nossas. Tentaremos observar possíveis ligações entre os estilos, os artistas e a dinâmica da indústria fonográfica brasileira que, desde o final da década de 1920 estava em franca expansão (em decorrência da chegada da gravação elétrica) e teve que correr atrás de novos artistas, muitas vezes oriundos do meio amador.



Embora a relação do início do cinema sonoro com o mercado fonográfico seja recorrente na História do Cinema Mundial, nosso objetivo é observar quais são as particularidades que ocorreram no contexto brasileiro e, principalmente, compreender o que, naquele momento, foi tomado como sendo as “nossas coisas”. Tentaremos desvelar quais estratégias esta produção da Byington e Cia. empreendeu para, a despeito de ter um norte-americano na direção, ser considerado um “film genuinamente brasileiro” (Correio da Manhã, 22 nov. 1931, p.5) em um momento que a indústria fonográfica no Brasil era, por vezes, duramente criticada por ter arranjadores e dirigentes estrangeiros.

Bibliografia

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