/ / / / / / / / / / / / / /      Anais Digitais      / / / / / / / / / / / / / /

  Voltar para a lista
 
  Título
GRIFE Super Festivais: produção, circulação e formação de cineastas
Autor
Flavio Rogerio Rocha
Resumo Expandido
O artigo em questão tem como tema o cinema Super8 brasileiro, e como recorte a trajetória do Super Festival Nacional do Filme Super8 (1973 – 1983), iniciativa do Grupo de Realizadores Independentes de Filmes Experimentais (GRIFE) da cidade de São Paulo, fundado em 1972, mantendo sua atuação junto ao Super8 até 1983, quando suas atividades se voltam para a produção em vídeo. Grupo de grande representatividade neste campo de produção artística, desenvolveu durante pouco mais de uma década, atividades relacionadas a promoção e a viabilidade da produção cinematográfica nessa bitola.

O grupo tinha quatro frentes de atuação junto ao Super8: os já mencionados festivais dedicados exclusivamente à bitola (organização e promoção de onze edições do Super Festival Nacional do Filme Super8, de 1973 á 1983), a formação de novos realizadores (oficinas de formação para cineastas iniciantes na bitola Super8), a divulgação através de programa de TV (veiculação durante 6 anos do programa Ação Super8 na TV Cultura de São Paulo, de 1975 a 1980), e a produção comercial (filmes didáticos, institucionais e publicitários).

Através desse objeto de pesquisa – o circuito cinematográfico constituído pela perenidade dos Super Festivais Nacionais do Filme Super8, iniciativa do GRIFE – procuro questionar como se articulava a atuação e a postura do grupo em prol da profissionalização dos realizadores que produziam em Super8 e o reconhecimento da bitola enquanto viável comercialmente frente aos outros formatos cinematográficos vigentes na época, como o 16 mm e 35 mm. Nesse sentido, busco mapear as diversas forças e agentes envolvidos nesse contexto. Como, por exemplo, empresas e instituições que de alguma forma incentivavam esse tipo de produção, como a Loja Fotóptica de propriedade de Thomaz Farkas, e a Embrafilme. Vislumbro, também, a polarização observada entre duas grandes tendências relacionadas aos superoitistas daquele período: os que estavam interessados em utilizar o suporte como forma de experimentar a linguagem cinematográfica de forma livre, ou seja os realizadores experimentais; e os ligados a uma postura voltada para o cinema clássico narrativo hollywoodiano, que pretendiam usar a bitola como degrau para chegar a profissionalização em formatos maiores.

Atendo-me ao meu objeto de pesquisa, é possível dizer que os Super Festivais tenham sido uma das grandes vitrines da produção superoitista, em nosso país – durante boa parte da década de 1970 e início de 1980 – juntamente com iniciativas como a Jornada de Curta-metragem de Salvador, na Bahia, o Festival de Gramado, no Rio Grande do Sul, ambos com espaços para o 16mm e o 35 mm; e a Mostra Nacional do Filme Super8 de Curitiba, no Paraná, que como o festival do GRIFE era unicamente dedicado ao Super8.

Os Super Festivais aconteceram, em sua grande maioria, no Teatro São Pedro, tradicional espaço de apresentações artísticas da cidade de São Paulo, com a presença de centenas realizadores e interessados em assuntos relacionados a bitola em questão. Os festivais, além da mostra principal, tinham, também, mostras paralelas. Havia a de filmes que não havia sido selecionados para as sessões competitivas e a mostra internacional. A partir da sexta edição, em 1978, o festival passou a ter um seminário de estudos e debates sobre cinema super8, com discussões sobre cinema alternativo, cinema curta-metragem, possibilidades de distribuição de filmes e profissionalização na bitola, entre outros assuntos.

Na verdade, o que os membros do GRIFE queriam era fomentar um ambiente propício para a profissionalização da produção em Super8. Podemos observar isso na própria forma como o grupo se organizava, no nível de profissionalismo e no caráter empresarial com que tocavam seus empreendimentos como a escola de formação e os próprio Super Festivais.

Bibliografia

- BERMAN, Abrão. Dirigir um Festival é uma Barra. In: Novidades Fotóptica n. 92., São Paulo, Ed. Morumbi, 1979, PG 17.

- BERNARDET, Jean-Claude. Cinema Brasileiro: proposta para uma história, São Paulo, Companhia das Letras, 2009.

- BOTTMAN, Denise. Super-8 Paranaense: Elementos para uma História. In.: História: Questões e Debates – Revista da Associação Paranaense de História – APAH, Curitiba, ano 3, n. 4, p. 27-53 , jun. 1982.

- FIGUEIRÔA, Alexandre. O Cinema Super 8 em Pernambuco: do lazer doméstico à resistêcia cultural. Recife: FUNDARPE, 1994.

- HOLLANDA, Heloísa Buarque de. Impressões de Viagem: CPC, Vanguarda e Desbunde, 1960-1970. Rio de Janeiro: Rocco, 1992.

- MACHADO, Rubéns. Marginália 70: O Experimentalismo no Super 8 Brasileiro. São Paulo: Itaú Cultural, 2001b.

- SUPEROITO: mais forte e mais vivo. Rev. Panorama. Curitiba – PR. n 225, p. 21-23, abril de 1975.

- XAVIER, Ismail (org.). A experiência do cinema – antologia. Rio de Janeiro: Graal/Embrafilmes, 1983.