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  Título
Técnicas e usos de efeitos visuais no cinema brasileiro recente
Autor
Roberto Tietzmann
Resumo Expandido
Efeitos visuais estão presentes em grande parte das obras cinematográficas de grande orçamento norteamericanas contemporâneas, seja em sua aplicação mais evidente na elaboração de objetos, personagens, cenários e movimentos de câmera através de técnicas que aproximam o cinema convencional com a animação ou em usos mais discretos como retoques sobre detalhes da imagem e a composição ou o reenquadramento de planos.



Em comum a todos os conceitos sobre efeitos visuais presentes em Aumont&Marie (2006), Fielding (1985), Goulekas (2001), Katz (1998), Mitchell (2004), Netzley (2000), Pinteau (2004), Rickitt (2000), Sawicki (2007), Wilkie (1996) é constante a ideia de uma substituição na troca da captação de imagens de uma maneira mais direta por sua elaboração através da aplicação de uma ou mais técnicas específicas. Presentes desde os primeiros dias do cinema ao final do século XIX, tais recursos de manipulação, tratamento e criação de imagens foram sendo integradas ao processo de realização em todas as suas etapas.



No cinema brasileiro por restrições técnicas, narrativo-ideológicas ou orçamentárias há historicamente pouco uso de efeitos distintos de manipulações simples em truca óptica ou efeitos pirotécnicos. A renovação do diálogo com o público no período posterior à retomada a partir de 2002 incluiu em suas características a qualificação técnica e tecnológica da realização, incluindo a incorporação de efeitos visuais nos filmes.



Neste artigo discutiremos o uso e a presença de efeitos visuais em filmes brasileiros de fins da década de 2000 em diante, questionando como ocorre sua incorporação: a partir de matrizes de representação aparentadas com as usadas em filmes de grande orçamento norteamericanos? Ou há características nacionais neste movimento? Esta discussão será realizada a partir da observação da presença de efeitos visuais e de seu vínculo com a narrativa nos filmes nacionais de bilheteria acima de um milhão de espectadores entre os anos de 2009 a 2013 a partir de dados consolidados pela Ancine.



Uma conclusão preliminar a ser aprofundada para o texto final é que há uma tendência predominante no uso de efeitos visuais no cinema brasileiro: são privilegiadas as situações onde seu uso se torna discreto e é fácil de ignorá-los ou tomá-los como parte natural da imagem, exceções feitas a filmes com temática histórica ou mística/religiosa onde são mostrados ostensivamente, como em Nosso Lar (Wagner de Assis, 2010). Em contraponto a isto, as obras a serem analisadas em profundidade são unânimes em mostrar as marcas do tratamento de cores, contrastes e texturas de imagem que faz parte das práticas conhecidas como finalização, parte da pós-produção.
Bibliografia

AUMONT, J.; MARIE, M. Dicionário técnico e crítico de cinema (segunda edição). Campinas : Papyrus Editora, 2006.

FIELDING, R. Techniques of Special Effects Cinematography. Boston : Focal Press, 1985.

GOULEKAS, K. E. Visual Effects in a Digital World. London : Morgan Kaufmann, 2001.

JULLIER, L.; MARIE, M. Lire Les Images de Cinéma. Paris : Larousse, 2007.

KATZ, E. The Film Encyclopedia (3rd Edition). Nova Iorque : Perennial; 1998.

MITCHELL, A.J. Visual Effects for Film and Television. Oxford: Focal Press, 2004.

NETZLEY, P. D. Encyclopedia of Movie Special Effects. Phoenix : Oryx Press, 2000.

PINTEAU, P. Special Effects: an oral history. Nova Iorque : Harry N. Abrams, 2004.

RICKITT, R. Special Effects, the history and the technique. Nova Iorque : Billboard Books, 2000.

SAWICKI, M. Filming the Fantastic : A Guide to Visual Effect Cinematography. Oxford : Focal Press, 2007.

WILKIE, B. Creating Special Effects for Film and Television. Boston : Focal Press, 1996.